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Cultura

 

 

José Manuel Roussado descobriu a sua veia literária durante o primeiro confinamento, entre março e abril de 2020 e, após meses passados a escrever versos, nasceu o livro “O confinamento visto de Paris”, uma (quase) autobiografia poética publicada pela Oxalá Editora.

Um ano depois, pela mesma chancela, este gerente bancário reformado de 67 anos, cofundador da ARCOP em 1984 e antigo Conselheiro do CCP (Conselho das Comunidades Portuguesas), publicou, há pouco, “Brilhantina”, uma peça de teatro em quatro atos que Luísa Semedo, atual Conselheira do CCP, professora de Filosofia e colunista no jornal português “O Público”, considera “uma belíssima viagem dentro da grande viagem da vida”.

Por sua vez, Carlos Pereira, jornalista, Diretor do LusoJornal, destacando as mais de quatro décadas de emigrante do autor, liga esta obra aos “milhares de Portugueses que tiveram de fugir de Portugal durante a ditadura fascista” e que encontraram refúgio em Paris. José Manuel Roussado foi um deles.

“O facto de ter sido emigrante e de ter vivido 48 anos em Paris certamente que deu uma ajuda na escrita desta peça”, salienta o autor, “o conhecimento de histórias parecidas de desertores e refratários que tiveram de deixar as suas namoradas auxiliou-me neste trabalho, mas também me ajudou o confinamento e o gosto que tenho pelo teatro”. E, no seu caso, este último, o teatro, foi um dos derradeiros momentos de normalidade antes da crise sanitária. “Uns dias antes do confinamento começar em França, eu trouxe o grupo de teatro ‘Os Teimosos’ de Montelavar até Nanterre, onde atuou para perto de 500 espectadores na Maison de la Musique”.

Sara Conceição, professora e autora do prefácio da obra, refere que a intriga desenvolvida nesta peça pode “parecer uma simples história de amor”, mas que é muito mais do que isso, “Brilhantina é uma história sobre a emigração, sobre o exílio político, sobre a ditadura, sobre as feridas da vida, sobre aquelas que se curam sem deixar marcas e aquelas de que nunca conseguimos desfazer-nos inteiramente”.

“Brilhantina” passa-se no final dos anos oitenta “pelo facto”, diz-nos o autor, “do exílio do Gilberto Cavalheiro, que tem um dos papéis importantes na peça, assim como o de outros jovens, ter ocorrido em 1963. Foi assim durante mais de dez anos até ao 25 de abril de 1974. Estes jovens obtinham asilo político na Bélgica ou nos países nórdicos, visto que, em França, o asilo político era só para as figuras mais conhecidas da oposição”.

Uma peça que José Manuel Roussado espera levar a palco. “Houve já artistas que leram a peça e o retorno imparcial, julgo eu, é que vai certamente ser encenada”, confessa o autor, “um dos depoimentos no princípio do livro é de José Cazenave, ator de teatro”. Efetivamente, Cazenave comenta que “com um final inesperado, fazendo lembrar os filmes portugueses dos anos 50/60, que tão boas memórias nos trazem, este é um trabalho bem escrito e com grande potencial de ser levado a cena”.

José Manuel Roussado admite que tomou o gosto pela escrita e adianta que está agora “com dois trabalhos em simultâneo”. Mais uma comédia teatral intitulada “O Ovo de Fabergé” e um romance, “uma biografia ficcionada baseada num manuscrito perdido”.

 

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