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O Deputado Carlos Gonçalves, eleito pelo círculo eleitoral da Europa, não divulga em quem vai votar nas eleições internas do PSD, por ser Presidente da Mesa da Secção. “Vou estar a organizar as eleições e por questões éticas entendo que não devo pronunciar-me” disse ao LusoJornal.

Já José Cesário, o outro Deputado eleito pela Emigração – no círculo eleitoral de Fora da Europa – assumiu publicamente que apoia o candidato Luís Montenegro.

O PSD vai escolher este sábado o seu Presidente (e em caso de segunda volta, terá lugar no sábado seguinte), que poderá ser uma renovação do mandato do 18º líder ou a escolha da 19ª personalidade que vai dirigir o partido. Com efeito, as eleições diretas vão ser disputadas entre o atual Presidente do PSD Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-Presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz.

“É a primeira vez que não assumo posição” diz Carlos Gonçalves ao LusoJornal. “Cabe-me alguma reserva porque estou na mesa de voto. É uma questão de ética. Mas também porque considero que a Secção está bastante dividida nos candidatos por quem os militantes vão votar”.

No próximo sábado, a Secção de Paris vai também eleger os Delegados que vão representar a Secção no Congresso de 7, 8 e 9 de fevereiro, em Viana do Castelo. Paris vai eleger 6 Delegados ao Congresso e 6 Observadores. “Vamos ter uma forte delegação no Congresso, com 12 participantes” considera Carlos Gonçalves.

 

Comissão política do PSD Paris decidiu não se pronunciar

A Comissão política da Secção de Paris do PSD, presidida por Joaquim Morais, decidiu não se pronunciar.

Já José Cesário, considera que “as questões internas do PSD não se esgotam no seu seio, dizendo verdadeiramente respeito à generalidade dos Portugueses, pelo menos àqueles que mais se preocupam com o nosso futuro coletivo. É assim que a eleição do futuro Presidente do PSD é um facto verdadeiramente nacional, que não nos permite manter o debate que lhe está associado apenas confinado às assembleias do Partido”.

Se nenhum dos três candidatos obtiver no sábado “a maioria absoluta dos votos validamente expressos”, 50%, a segunda volta realiza-se uma semana depois, dia 18, entre os dois candidatos mais votados.

A eleição direta do Presidente por todos os militantes foi introduzida no PSD em 2006 pelo então líder Marques Mendes, mas só em 2012 foi colocada nos estatutos a obrigatoriedade de uma segunda volta sempre que um candidato não obtenha a maioria dos votos.

Desde que foram introduzidas as diretas no PSD, apenas um presidente em exercício se recandidatou e perdeu – Marques Mendes -, mas também apenas um outro se recandidatou e ganhou, Pedro Passos Coelho. Os restantes líderes no PSD desde 2006, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite, saíram pelo próprio pé, o primeiro antes de completar o mandato.

 

Reforma do pagamento das cotas reduziu “drasticamente” os eleitores nas Comunidades

Cerca de 40 mil militantes do PSD com as quotas em dia podem votar nas diretas para escolher o próximo Presidente, o mais baixo universo eleitoral de sempre no Partido.

“No conjunto das Secções que fazem parte do Círculo eleitoral de Fora da Europa, por onde eu fui eleito Deputado, onde se encontram filiados quase 1.600 pessoas, só teremos 10 em condições de exercer tal direito de voto. Estranho, não é verdade?” denuncia José Cesário, referindo-se aos 2 eleitores do Canadá, aos 2 de Moçambique, aos 2 de Macau e aos 4 dos Estados Unidos. Enquanto o Brasil tem muitos militantes, nenhum vai poder votar para a eleição do Presidente do Partido.

Na Presidência de Rui Rio, o Partido estabeleceu um novo método de pagamento de quotas. Os militantes deixam de pagar as cotas na Secção e pagam diretamente ao Partido. “Eu acho que esta alteração tinha de ser feita. Algum dia isto tinha de ser regulamentado” explica Carlos Gonçalves.

Mas o processo não correu bem. O pagamento por vale postal só pode ser feito numa loja dos CTT em Portugal e tem de dar uma morada em Portugal, o pagamento por multibanco não funciona a partir do estrangeiro e a aplicação para telemóvel que o Partido criou, não reconhece muitos números de telemóvel de militantes no estrangeiro.

O resultado está há vista: apenas estão inscritos 2 eleitores em Espanha, 4 na Suíça, 6 no Luxemburgo, 6 no Reino Unido, 10 na Alemanha, 35 em Bruxelas e 48 em Paris. “Na verdade, temos cerca de 170 militantes em Paris, mas apenas 48 puderem pagar a cota do Partido” explica Carlos Gonçalves. Em Strasbourg votam 2 militantes e a Secção de Lyon nem aparece na base de dados do Partido, apesar de estar ativa.

“O que se passou, realmente, é que o Partido optou recentemente por um sistema de pagamento de quotas que, na prática, impede todas as pessoas que não tenham contas bancárias em Portugal, que não possuam um Cartão de crédito internacional ou que não queiram fazer uma transferência interbancária internacional, com todos os custos que lhe estão associados, de proceder ao pagamento de tal quota” resume José Cesário. “Assim se retira, na prática, o direito de voto, internamente, à quase totalidade dos militantes do Partido dos países de Fora da Europa, atirando-os claramente para uma espécie de segunda divisão da vida partidária. Na prática, o que é grave é que isto fecha o Partido em torno de ‘meia dúzia’, afastando-o ainda mais da sociedade”.

José Cesário explica aliás que “no fundo trata-se de uma espécie de nova refiliação, limitando ao máximo a vida interna a um universo o mais reduzido possível, até porque estas dificuldades para proceder à regularização de tais quotas se estendem a imensos outros companheiros com quem fui falando um pouco por todo o país. Acho tudo isto inacreditável!”

“Se tudo funcionar bem, se os problemas técnicos forem resolvidos, vai facilitar muito” espera Carlos Gonçalves.

 

Os 18 Presidentes do PSD

Francisco Sá Carneiro

Emídio Guerreiro

António Sousa Franco

José Menéres Pimentel

Francisco Pinto Balsemão

Nuno Rodrigues dos Santos

Carlos Mota Pinto

Rui Machete

Aníbal Cavaco Silva

Fernando Nogueira

Marcelo Rebelo de Sousa

Durão Barroso

Pedro Santana Lopes

Luís Marques Mendes

Luís Filipe Menezes

Manuela Ferreira Leite

Pedro Passos Coelho

Rui Rio

 

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