Consulado-Geral de Portugal em Marseille celebrou o Dia de Portugal com um arraial inspirado no Santo António de Lisboa


O Consulado-Geral de Portugal em Marseille celebrou, no passado dia 11 de junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas, numa edição particularmente especial: foi a última cerimónia presidida pelo Cônsul-Geral Álvaro Esteves, que se prepara para regressar a Lisboa após quatro anos de missão no sul de França. O evento reuniu mais de 350 pessoas na Friche Belle de Mai, antigo complexo industrial transformado em polo cultural contemporâneo e hoje sede de várias indústrias criativas da cidade.

Entre associações portuguesas – algumas vindas de localidades distantes – autoridades locais, corpo consular, representantes universitários, atores do mundo cultural e muitos cidadãos portugueses e franceses, especialmente jovens, o ambiente foi de festa e reencontro. O Consulado quis recriar, em pleno coração de Marseille, um “arraial de Santo António de Lisboa”, evocando a luz, a música, os sabores e a convivialidade das noites lisboetas de junho.

Na sua intervenção, Álvaro Esteves começou por agradecer aos músicos da Ópera de Marseille que interpretaram os hinos nacionais. Depois, recordou o momento em que chegou à cidade: “Há quase quatro anos, ao chegar a Saint‑Charles sob o sol de agosto, apaixonei‑me por Marseille. Senti‑me imediatamente em casa: reconheci a luz, o reflexo na água e na pedra branca, as ruas em colinas, o calor e a generosidade das pessoas”.

O Cônsul-Geral estabeleceu uma ponte afetiva entre Lisboa e Marseille, cidades que, segundo disse, partilham traços fundamentais: “Vindo de Paris, reencontrei aqui algo da capital de Portugal – esse país mediterrânico sem verdadeiramente o ser. Marseille aliviou a minha saudade”.

Foi dessa inspiração que nasceu a ideia de organizar um arraial: “Ao ver jovens sentados e felizes junto à abadia de Saint‑Victor, por instantes pensei estar em Lisboa, numa noite de Santo António. A ideia surgiu como uma evidência. Levou quatro anos a ganhar forma”.

A escolha da Friche Belle de Mai foi deliberada: “Ao preparar‑me para deixar Marseille e regressar a Lisboa, quis, por uma noite, transportar-vos para o coração da mais popular, democrática e eclética das festas da capital portuguesa: o baile de Santo António”.

O Cônsul-Geral sublinhou que esta celebração refletia o ADN do espaço cultural marselhês e a modernidade dos arraiais lisboetas, onde a gastronomia, a música e a convivência se cruzam com uma forte dimensão comunitária.

Na sua intervenção, Álvaro Esteves evocou também o trabalho realizado ao longo dos quatro anos de missão, agradecendo à equipa do Consulado-Geral – distribuída entre Marseille, Nice e Ajaccio – e aos quatro Cônsules Honorários – Nice, Monaco, Montpellier e Ajaccio. “Servir mais de cento e vinte mil portugueses da região consular foi a maior honra da minha vida. E não o fiz sozinho. A toda a equipa, digo do fundo do coração: obrigado”. Depois, enumerou, um a um, os colaboradores, num gesto de reconhecimento muito aplaudido.

Recordou ainda as grandes iniciativas organizadas durante o seu mandato: os 200 anos do Consulado-Geral, o bicentenário da amizade luso‑brasileira, os 50 anos do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Universidade Aix‑Marseille, as comemorações do 25 de Abril e as homenagens a Luís de Camões. “Estes quatro anos foram intensos. Celebrámos juntos momentos históricos que reforçam a nossa identidade e a nossa presença cultural”.

O Cônsul-Geral dedicou uma parte significativa do discurso às associações portuguesas da região, citando-as nominalmente e agradecendo o empenho de cada uma: “A todas e a todos: obrigado por me terem acolhido tão calorosamente. É através de vocês que a nação brilha muito para além das suas fronteiras”.

Recordou também a visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa à região consular, gesto que considerou revelador da importância da Comunidade portuguesa no sul de França.

A organização do arraial contou com o apoio da Friche Belle de Mai, das Grandes Tables, da Caixa Geral de Depósitos, do Montepio, da Super Bock e da Câmara Municipal de Lisboa, que enviou as sardinhas vencedoras do concurso deste ano. Álvaro Esteves destacou ainda o papel da Câmara de Comércio e Indústria Franco‑Portuguesa, na pessoa do seu Presidente, Jorge Mendes Constante: “Um obrigado muito especial – institucional e pessoal – à Câmara de Comércio e Indústria Franco‑Portuguesa pelo apoio indefetível”.

Antes de abrir o baile ao som da DJ “Mãe D’Ela”, o Cônsul-Geral de Portugal em Marseille despediu‑se com emoção: “Deixo Marseille com a saudade já no coração. Mas esta noite, como se faz em Lisboa no Santo António: vamos dançar! Viva a França! Viva Portugal!”

A celebração deste ano, marcada pela forte presença de jovens e pela fusão entre tradição e contemporaneidade, tornou-se uma despedida calorosa e simbólica de um Cônsul que, nas suas próprias palavras, encontrou em Marselha uma segunda Lisboa.

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