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Vivem e trabalham na região de Paris. São oriundos da Ponte da Barca, de onde trazem as mais diversas recordações de infância. Já bem integrados procuram, por seu turno, integrar e dinamizar através daquilo que mais gostam de fazer, nos seus tempos livres. Sofia Costa, que já gostava de folclore antes de nascer, lançou as bases deste projeto cultural, que se foi moldando e que já atingiu fascinante maturidade, nos princípios e nos objetivos!

“Em-Canto” nasceu há precisamente um ano, procedente de uma vontade em reproduzir cantigas de outrora, numa coordenação polifónica de vozes; encantadora, emocionante, digna e dignificante! Que traz à memória recordações da história e da vida, de um povo fiel às suas tradições, aos usos e costumes; um enorme trabalho de recolha e asseveração, também ao nível dos trajes e outros acessórios apropriados aos temas que representam em palco. De Ponte da Barca, para Paris e daqui para o resto do mundo!

Estiveram, por vocação e direito, no V Festival de Folclore “O Cancioneiro do Alto Minho”, em Cessange, no Luxemburgo, naquela que foi a primeira atuação “fora de casa”. Apesar de algum nervosismo, acabaram por encantar arrancando efusivos aplausos à numerosa assistência, onde também estava Daniel Café, Presidente da Federação Portuguesa de Folclore. Uma prestação muito bem conseguida, coreografia condizente, tudo muito bem organizado; emoção e alegria, naquela inesquecível tarde do dia 3 de fevereiro, propiciada por gente fantástica, cingida de paixão por uma causa que muito nos honra. E que por isso mesmo logra do nosso apoio.

Cantar Ponte da Barca no Luxemburgo, merece uma particular atenção por todos e em particular por quem tem o poder de incentivar, de promover, de valorizar… Este grupo, verdadeiro embaixador da nossa terra, tem mérito e ambição. Está por isso mesmo preparado para produzir espetáculos de qualidade, em qualquer evento, festa e/ou romaria. E não seria favor nenhum que lhes fosse formulado o convite, para integrar o programa da grande Romaria de São Bartolomeu! Que como sabemos é abrilhantada pela força e pela diversidade da diáspora barquense, sempre fiel à sua Romaria, com todas as vantagens inerentes, também ao nível do indispensável contributo económico local. Seria, por isso, de enaltecer que os responsáveis pela elaboração do programa pensassem em toda essa gente da Barca que, ao longo do ano exerce o seu talento, desenvolve atividades culturais, promovendo assim, no estrangeiro, o Concelho e as suas gentes! Fica averbado o recado, que também é interpelação; oxalá o entendam assim e acima de tudo o ponham em prática!

Para além dos elogios e dos parabéns, este grupo precisa de ser reconhecido; pelo que faz e pelo que quer fazer. Pela entrega abnegada em promover o que somos e temos, em meio imigrante. Sem qualquer interesse, a não ser defender e valorizar uma causa que nos é comum. Este é um exemplo, mas existem outros, de fácil referenciação. Ter uma nova relação com a diáspora barquense, não se deve limitar às palavras, nem às boas intenções, mas antes a uma nova disposição, que venha dar consistência, que toque no cerne da questão. Em termos culturais, mas também noutros domínios da sociedade civil. Ponte da Barca – insisto – só tem a ganhar, tão importante e valioso é o contributo daqueles que a deixaram por não encontrarem nela a referência, a causa do sustento e até da sobrevivência! A nossa dignidade está acima de tudo e de todos; sejamos dignos, uns e outros, do nosso património cultural/social e desta dimensão universal que nos anima e congrega.

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