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Feira de produtos portugueses de Nanterre voltou a ser um “grande sucesso”

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A Feira de produtos portugueses de Nanterre, que teve lugar este fim de semana, entre sexta-feira e domingo, foi mais uma vez coroada de sucesso, apesar da apreensão inicial da organização. “Estávamos com alguma apreensão porque é uma das primeiras festas que se fazem depois da pandemia e as nossas expectativas eram de termos menos gente do que tivemos pelo passado” confessa o Manuel Brito ao LusoJornal.

Manuel Brito é o Presidente da ARCOP – Associação recreativa e cultural dos originários de Portugal – que organiza a Feira há 19 anos, sabendo que foi suspensa estes dois últimos anos, por razões evidentes de pandemia.

Logo na primeira noite do certame, para o já habitual jantar-concerto de fado, a associação teve mais reservas do que tinha antes da paragem forçada por causa da Covid-19. O concerto do agrupamento musical Roconorte, no sábado à noite – grupo que todos os anos vem animar o baile de sábado desde a criação da Feira – também foi um sucesso.

O princípio da festa é simples: este ano estiveram presentes 15 municípios portugueses – apenas os municípios podem estar presentes – e cada um deles trouxe a Nanterre produtores locais para apresentarem enchidos, queijos, vinhos, azeite, mel, artesanato,…

Quando a Feira começou “o nosso país estava em crise, estávamos com a Troika em Portugal e tínhamos os pequenos produtores que vinham cá com os produtos deles” explica Manuel Brito. “Vieram cá no primeiro ano e hoje continuam a vir, porque, graças à Feira de Nanterre, essas empresas não morreram. Depois de virem à Feira, começaram a deixar aqui os produtos deles, nos restaurantes, nos cafés, nas casas de produtos portugueses e hoje continuam a vender cá os produtos deles”.

Como habitualmente, a Feira de Nanterre é também um espaço de passagem dos autarcas portugueses, que encontram neste certame uma oportunidade para manter contacto com os Portugueses desses concelhos a residir na região parisiense.

“São vários os nossos objetivos, desde logo encontrar com os Arcuenses e os Portugueses que estão aqui nesta região e são muitos aqueles que estão cá” confirma ao LusoJornal João Manuel Esteves, o Presidente da Câmara municipal de Arcos de Valdevez. “Queremos dizer-lhes que a nossa terra não é apenas uma terra de férias, mas também é uma terra onde se pode viver, onde se pode trabalhar, estudar… é uma terra onde se pode e deve investir. É bom nós criarmos esta ligação, porque a nossa diáspora é uma parte importante naquilo que é o processo de desenvolvimento dos Arcos de Valdevez, porque somos tantos dentro como fora e talvez sejam mais os que estão fora”.

Também o Presidente da Câmara municipal de Ponte da Barca deixou uma palavra de apreço para a associação organizadora. “Porque este evento permite estabelecer relacionamento entre quem está em Portugal e quem está aqui, entre os Portugueses de Portugal e os Portugueses que estão aqui na nossa diáspora. Isso é para mim o mais importante” diz Augusto Marinho ao LusoJornal.

Augusto Marinho destacou também a forma como os Portugueses de França são bem vistos. “Para Portugal isto é muito importante, o facto da nossa diáspora se afirmar”.

“A comunidade Barrosã, Montalegrense, nunca se desvinculou, nunca esteve desligada da sua terra” diz por seu lado o Presidente da Câmara municipal de Montalegre. “Já temos saudades de ver as nossas ruas e as nossas festas inundadas pela presença daqueles que ao longo destes três anos não conseguiram ir à terra, não conseguiram animar as festas” garante Orlando Alves. “Esta relação existe, é muito intensa e inquebrável”.

Há Câmaras que participam neste certame desde o início e todos reconhecem a importância comercial da Feira de Nanterre. “É importante chamar a atenção que nós temos bons produtos e sabemos fazer bem e por isso, trazer os nossos produtos cá é uma forma não só de exportar esses produtos, mas acima de tudo de chamar a atenção para a Comunidade para a qualidade desses produtos, para eles, para os amigos deles, franceses, para a família, para os netos, para os filhos… é bom podermos colaborar, nesta ‘economia entre Portugueses’, se quisermos chamar-lhe assim” diz João Manuel Esteves.

E Augusto Marinho vai mais longe. Diz que temos aqui “uma diáspora extremamente forte, não só a nível de consumo, mas também na comercialização dos nossos produtos junto da indústria. Temos aqui grandes empreendedores, grandes empresários, que podem ser uma excelente oportunidade para estabelecer parcerias entre os nossos empresários e a nossa diáspora, e a partir deles termos a porta para entrar no mercado de grande consumo, como é o mercado francês. Daí que é fundamental esta presença aqui nesta feira”.

Orlando Alves aproveitou a Feira de Nanterre para dar voz aos Barrosões que residem na região de Paris. “Eu tive aqui uma conversa com o Senhor Embaixador de Portugal e com o Senhor Deputado Paulo Pisco, onde fui o porta-voz do descontentamento generalizado da Comunidade barrosã, Montalegrense e Portuguesa relativamente ao funcionamento dos Consulados e da Embaixada, das dificuldades da falta de apoio, da ausência de respostas. Este também é um fator importante” disse ao LusoJornal.

A abertura da Feira, na sexta-feira, foi presidida, efetivamente, pelo Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, e no domingo passou em Nanterre o Deputado recentemente reeleito Paulo Pisco, pelo círculo eleitoral da Europa.

“É sempre importante estar junto dos Portugueses para os ouvir e essa é a minha missão, é essa a minha função e é esse o meu dever também” responde o Deputado Paulo Pisco ao LusoJornal. “Obviamente que esta é uma oportunidade também para ouvir as pessoas e é claro que ouço todo o tipo de coisas”.

O Deputado socialista confirma que ouviu queixas relativamente ao funcionamento do Consulado Geral de Portugal em Paris. “Eu espero que a situação possa melhorar quando vierem os novos funcionários, quando entrar em funcionamento o novo Centro de atendimento consular para França e espera-se que todas as medidas que estão previstas no âmbito do novo modelo de gestão consular, possam também ajudar a cumprir esse objetivo que é o da desmaterialização dos atos e ajudar a facilitar a vida quer aos utentes, quer aos funcionários consulares”.

“Já aqui foi referido por muitas pessoas de Ponte da Barca, que me dizem que quando nós partimos, eles ficam com saudades, com um aperto no coração, mas eu também lhes quero dizer que quando nós partimos, também os levamos no coração” disse ao LusoJornal o Presidente da Câmara municipal de Ponte da Barca.

“Aqui em Nanterre, sindo que estou na minha terra. Estando fora de Portugal, eu sinto a portugalidade a ferver aqui nas veias de todos nós e encontramos aqui um fervor patriótico, um afeto, que não encontramos no nosso quotidiano” diz por seu lado Orlando Alves, o Presidente da Câmara municipal de Montalegre.

“Quando nós estamos aqui, nós quase não pensamos que estamos em França, pensamos que estamos em Portugal, porque a dimensão de portugalidade que existe aqui é de tal maneira presente que nós pensamos que estamos verdadeiramente em Portugal, numa manifestação de produtos regionais” confirma o Deputado Paulo Pisco.

Manuel Brito já prometeu que a Feira de Nanterre voltará na primeira metade de abril do próximo ano e quer trazer 22 Câmaras municipais de Portugal. “Até porque já circulei pelos stands e todos venderam muito bem. Alguns já nem têm produtos para vender”.

Mas o Presidente da Arcop também considera que o mercado vai evoluindo “porque esta feira já não é só procurada pelos Portugueses, também já é procurada pelos Franceses”.

De referir que todo o trabalho de organização é baseada em voluntariado e Manuel Brito refere sempre que se trata de “um trabalho de equipa”. Esta Feira de Nanterre implica cerca de uma centena de colaboradores amadores.

 

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