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O filme «O Cônsul de Bordéus» sobre Aristides de Sousa Mendes, o português que salvou mais de 30.000 pessoas do Holocausto, foi apresentado ontem, em Paris, no cinema Le Lucernaire.

João Correa (na foto), um dos dois realizadores – com Francisco Manso – esteve presente na sessão de apresentação e participou num pequeno debato organizado no final da projeção, na presença também do Embaixador da Bélgica em França. Apesar de João Correa garantir que foram convidados, não houve representação diplomática portuguesa na apresentação do filme.

No debate participou o Jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, o compositor Henri Seroka, que para além de escrever a música para o filme, também o produziu e houve intervenções do escritor e pensador francês Claude Berger e do Embaixador do reino da Bélgica em França. Uma professora de português levou os alunos e os pais a assistir ao filme, apesar do período de férias.

João Correa, de 74 anos, interessou-se pela vida de Aristides de Sousa Mendes «por volta de 1989» quando estava a realizar uma minissérie para a televisão e se apercebeu, em Bordeaux, que «ninguém conhecia o Cônsul a não ser um padre [Bernard Rivière] e o professor Manuel Dias», que é atualmente o Vice-Presidente do Comité National d’Hommage à Aristides de Sousa Mendes.

«Quando comecei com esta história, não acreditei na história. Pensei que aquilo era uma espécie de aldrabice, que 35.000 pessoas salvas em Bordeaux por um português que ninguém conhecia era uma história bonita para o cinema», começou por descrever o correalizador de «O Cônsul de Bordéus».

Em 1996, foi ao centro Simon-Wiesenthal, nos Estados Unidos, para «ver se a história do Sousa Mendes era verdadeira» e deparou-se com um «visto Sousa Mendes» que mais parecia «um salvo-conduto da Idade Média».

«Encontrei um responsável e perguntei como é que era possível que tenha salvo tanta gente em tão pouco tempo. Ele olhou para mim e disse: ‘Mas o senhor nunca viu um visto Mendes’ e foi a um cofre, voltou com um papelinho dobrado em quatro, amarelo, já quase destruído, abriu-o e mostrou-me», lembrou o português que vive na Bélgica desde 1964.

O filme estreou-se em Portugal, em novembro de 2012, e só vai chegar às salas francesas a 22 de novembro.

«O Cônsul de Bordéus» é protagonizado por Vítor Norte, no papel de Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que, à revelia de António de Oliveira Salazar, o Presidente do Governo da ditadura, atribuiu cerca de trinta mil vistos a refugiados perseguidos pelo regime nazi, em 1940.

O filme centra-se neste período, nos nove dias de junho de 1940, durante os quais o Cônsul ajudou milhares de refugiados, designadamente judeus, a viajarem para Portugal e, daí, para diferentes países, sobretudo para os Estados Unidos.

Quando estava a preparar o filme, João Correa escreveu também um livro, «Sousa Mendes, Le Cônsul de Bordeaux – Regards sur la Belgique et l’Europe au XXème Siècle», conta com o prefácio do escritor belga Pierre Mertens e tem dois textos de dois ex-Ministros franceses da Cultura, Jack Lang e Jacques Toubon. Editado agora pela L’Harmattan, o livro vai estar à venda, em França, a partir de 1 de novembro.

 

 

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