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Cultura

 

O ator e encenador português Mário Constante organizou este fim de semana, durante três dias, o Festival de Teatro de Aix-La Duranne com 8 companhias da região de Aix-en-Provence e com muita animação, música, circo e improvisação. Mário Constante encenou dois dos espetáculos do Festival.

 

O Festival de Teatro de Aix-La Duranne é organizado pela associação Pendrillons & Compagnies, no bairro La Duranne, em Aix-en-Provence. “Quando eu cheguei aqui e pousei as minhas malas, o bairro tinha 3.000 habitantes. Agora, 12 anos depois, tem 10.000 habitantes. Construíram edifícios e mais edifícios e não há animação nenhuma. É aqui que eu tinha que fazer este festival” explica Mário Constante ao LusoJornal. “Aqui, tudo está por fazer, e é aqui que temos de fazer coisas”.

Mário Constante vive há 30 anos em França e antes de vir foi ator do Seiva Trupe e do Teatro Experimental do Porto. Ainda passou pela Inglaterra, mas acabou por encontrar uma namorada francesa e fixou-se em Aix-en-Provence.

Atualmente tem uma escola de teatro com 70 alunos por ano e onde encena espetáculos que vão circulando pela região. A escola chama-se Mimethis & Catharsis e apresentou no Festival dois espetáculos: “L’île des esclaves” de Marivaux e “La voix des femmes” de Jodie Ruth-Forest, ambos encenados por Mário Constante.

“L’île des esclaves” conta a história de dois aristocratas que escapam a um naufrágio com os respetivos servidores Arlequin e Cléanthis. Mas desembarcaram numa ilha que tinha a particularidade de ser governada por… antigos servidores.

Já “La voix des femmes” fala de cinco mulheres que, em 1848, se revoltam contra as desigualdades e lutaram pelos seus direitos e liberdades, criando um jornal, precisamente chamado “La voix des femmes”.

São espetáculos que Mário Constante encenou com os alunos e depois produz em espetáculo. Mas encena também espetáculos de outros grupos de teatro. “Eu sou intermitente do espetáculo e os grupos convidam-me para encenar os espetáculos deles, mas, nesse caso, não faço a produção” explica ao LusoJornal.

No festival participaram outros grupos de teatro, com peças de outros encenadores, a partir de textos de Guy de Maupassant ou Martial. Mário Constante programou também uma peça para crianças a partir de 3 anos, um cabaré improvisado, um concerto de jazz manouche, uma Batucada inspirada nas escolas de samba de Rio e de São Paulo, um grupo de percussionistas amadores e animações de rua com atores de circo.

O Festival nasceu já depois do “Covid”. Mário Constante juntou um grupo de amigos, apaixonados por teatro, encenadores de outros grupos, antigos alunos, e juntou 3.000 euros para fazer a primeira edição do evento, no ano passado.

“Este ano a Mairie de Aix-en-Provence finalmente deu-nos algum dinheiro, mas são sempre as empresas que têm sensibilidade e nos ajudam” explicou Mário Constante. “O nosso objetivo não é fazer um grande festival, de renome, mas ser um Festival popular, para o povo, para toda a gente”.

“Estar a queixar-se que as pessoas não vêm ao teatro não serve de nada. Isso é baixar os braços. É necessário agir e é isso que eu faço. Eu luto para que as pessoas venham ao teatro em vez de estarem a ver a televisão ou irem a um jogo de futebol”.

Visivelmente contente com o Festival, Mário Constante promete voltar no próximo ano com mais espetáculos em Aix-La Duranne.

 

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