Lamentos
Lamento este mundo assim
Tão próximo do fim
Lamento a sua destruição
Vítima de todo o tipo de poluição
Lamento os animais em extinção
Vítimas de modas e de tradição
Lamento a sociedade de consumação
Os seus desperdícios e a sua ilusão
Em nome do lucro e da produção
Lamento os que passam a vida a rastejar
Sem vontade nem coragem para lutar
Lamento os que não morrem de pé
E de joelhos negam a sua fé
Lamento as exigências da burocracia
As promessas políticas cheias de demagogia
Lamento os donos da economia
Sem coração e de alma vazia
Lamento os senhores da guerra
Que decidem destruir a Vida e a Terra
Lamento o sacrificio em vão
Dos homens que morreram pela Nação
Lamento toda a religião
Que prega mais o ódio que o perdão
Lamento o Cristo crucificado
E todo o ser injustamente condenado
Lamento as guerras de religião
Que nos fazem perder a fé e a razão
Lamento os que deixaram de acreditar
Caminhando sem se encontrar
Lamento os que dizem “deixa andar”
Que nada fazem para o mundo mudar
Lamento os falsos amigos
Sempre em intrigas envolvidos
Lamento os simulados sorrisos
Nos lábios secos e fingidos
Lamento a mentira sacrossanta
Que esconde a verdade que espanta
Lamento o sexo sem amor
E toda a violência sexual
Lamento toda a forma de dor
E toda a expressão racial
Lamento o trabalhador explorado
Mal pago e escravizado
Lamento que a força e justiça da lei
Não esteja ao serviço da grei
Lamento quem teima em governar
Sem a vontade do Povo respeitar
Lamento o poder tenebroso
Que tira a liberdade ao Povo
Lamento os que apregoando as “boas ações”
Esperam em troca títulos e condecorações
Lamento que o parecer
Seja mais forte que o ser
Lamento a resignação do “tem que ser”
Mais forte que a força do querer
Lamento o esquecimento e a ingratidão
De quem nos diz guardar no coração
Lamento a eterna contradição
Do “nem sim, nem não”
Tantos lamentos tanto para lamentar
Que um Deus venha para nos ajudar
Para criar um mundo para Amar
E menos motivos para lamentar
Carlos Manuel Candeias
Paris, 23 de novembro de 2019






