O coreógrafo português Marco da Silva Ferreira foi convidado pela Maison de la Danse e pela Bienal de Dança de Lyon a criar uma peça para o Ballet da Ópera de Lyon, com estreia em setembro de 2027.
O anúncio foi feito pelas duas instituições francesas na rede social Instagram, no âmbito de um novo projeto de associação artística promovido pelo Pôle Danse de Lyon, estrutura que reúne a Maison de la Danse e a Biennale de la Danse, convidando quatro coreógrafos para três temporadas.
A iniciativa integra o projeto artístico desenvolvido pelo programador português Tiago Guedes, Diretor da Maison de la Danse de Lyon e da Bienal de Dança de Lyon desde 2022.
Juntamente com a coreógrafa grega Katerina Andreou, a coreógrafa francesa Dalila Belaza e o coreógrafo grego Christos Papadopoulos, Marco da Silva Ferreira irá integrar residências artísticas, processos de criação, apresentação de repertório na Maison de la Danse e na Biennale de la Danse, ações de formação dirigidas a bailarinos profissionais, oficinas de prática artística e projetos participativos destinados à comunidade, segundo a organização.
O projeto visa reforçar a presença dos artistas convidados no território através de um acompanhamento continuado, proporcionando apoio financeiro, técnico e humano ao desenvolvimento das respetivas criações e incentivando o diálogo entre artistas, instituições e públicos, indicam as duas entidades nos respetivos ‘sites’.
Marco da Silva Ferreira, um dos coreógrafos portugueses com maior projeção internacional, tem levado ao longo do ano, em circulação além-fronteiras, a sua criação “A Folia”, estreada em 2022, com apresentações no Reino Unido, Áustria, Espanha, Eslovénia e França.
Inspirada num fenómeno social português do século XV associado à dança, à música e aos rituais populares, a obra estabelece um encontro entre essa tradição histórica e as linguagens coreográficas contemporâneas.
A mais recente criação do coreógrafo, “F*cking Future”, foi apresentada em Portugal no final de 2025, em Lisboa e no Porto, e integrou posteriormente a programação do Teatro Nacional de Chaillot, em Paris.
Em janeiro deste ano, Marco da Silva Ferreira foi distinguido com o Prémio Chanel Next 2026, no valor de 100 mil euros, atribuído pela marca francesa a dez criadores internacionais reconhecidos pela inovação nas respetivas disciplinas artísticas.
Nascido em Santa Maria da Feira, em 1986, licenciou-se em Fisioterapia pelo Instituto Piaget, em Vila Nova de Gaia, antes de orientar o seu percurso para a dança contemporânea.
Depois de um percurso na natação de alta competição, projetou-se nacionalmente ao vencer, em 2010, a primeira edição do programa televisivo “Achas que Sabes Dançar?”, iniciando desde então uma carreira internacional como intérprete e coreógrafo.
Como intérprete trabalhou, entre outros, com André Mesquita, Hofesh Shechter, Sylvia Rijmer, Tiago Guedes, Victor Hugo Pontes, Paulo Ribeiro e David Marques.
Em 2025, a sua criação “Carcaça”, distinguida em 2023 pela Sociedade Portuguesa de Autores com o Prémio de Melhor Coreografia, realizou uma digressão internacional que passou por França, Japão, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Austrália.







