A Galerie Maubert, situada no coração do Marais, em Paris, inaugura no dia 5 de setembro a exposição “Les commensaux”, a terceira mostra individual do pintor português José Loureiro no espaço parisiense. A exposição, patente até 31 de outubro, confirma a relevância internacional do artista, que este ano foi alvo de uma grande retrospetiva no Frac Grand Large – Hauts-de-France, ocupando três pisos e quase dois mil metros quadrados.
Em “Les commensaux”, José Loureiro apresenta a sua série mais recente: um conjunto de óleos sobre tela e papel onde surgem formas vivas, mutantes, por vezes humanoides, que habitam o espaço da pintura como organismos em transformação. Estas figuras, simultaneamente abstratas e figurativas, cruzam-se, chocam, coexistem e disputam território dentro da superfície confinada da tela. A cor – elemento central na obra do artista – atua aqui como força estruturante e, ao mesmo tempo, perturbadora, criando tensões, equilíbrios instáveis e uma vitalidade que mantém cada composição em permanente movimento.
O texto do próprio artista, incluído no dossier da exposição, oferece uma chave de leitura para esta nova série: José Loureiro imagina os “comensais” como criaturas que abandonaram a mesa tradicional das naturezas-mortas e passaram a ocupar o espaço pictórico com a voracidade de insetos. A pintura deixa de representar objetos arrumados e passa a captar seres que saltam, se agarram, se contorcem e reivindicam o seu lugar. É uma inversão irónica e poética da história da pintura, onde o quotidiano doméstico dá lugar a uma espécie de teatro biológico.
Nascido em 1961, José Loureiro é uma das figuras mais marcantes da pintura portuguesa contemporânea.
Descobriu a pintura aos 16 anos, estudou na Escola de Belas-Artes de Lisboa e começou a expor no final dos anos 1980. A sua obra evoluiu de um registo expressivo para uma investigação rigorosa sobre a trame, a grelha, o gesto e a autonomia da cor – uma pesquisa que, desde 1993, define o seu percurso.
José Loureiro tem apresentado exposições em instituições de referência em Portugal como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, o Centro Cultural Vila Flor, a Fundação Carmona e Costa, a Culturgest, o MAAT, mas também o Centro Pompidou, entre muitas outras.
A sua obra integra importantes coleções públicas, incluindo o Centre Pompidou, o Frac Grand Large, a Fundação Gulbenkian, o CCB, o MACE, a Fundação EDP, a Coleção António Cachola, a FLAD, o Museu Berardo, o European Central Bank, o European Patent Office, entre outras.
Em 2018, recebeu o Prémio AICA pela exposição “A vocação dos ácaros”, apresentada na Fundação Carmona e Costa.
Com “Les commensaux”, a Galerie Maubert reforça a relação de longa data com o artista e apresenta ao público parisiense uma série que sintetiza a maturidade do seu percurso: rigor e fantasia, cor e gesto, humor e inquietação. A exposição promete atrair tanto colecionadores como especialistas e amantes da pintura contemporânea, oferecendo uma nova oportunidade para descobrir um dos nomes mais consistentes e inventivos da arte portuguesa.







