O ensino no estrangeiro de uma língua global

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A leitura do preâmbulo do Decreto-Lei 165/2006, que estabelece o regime jurídico do ensino do português no estrangeiro, constitui um excelente retrato da ambição e do entusiasmo que então existia e, felizmente ainda existe, para tornar a Língua portuguesa uma língua de dimensão verdadeiramente global.

Li o Decreto-Lei para regressar ao tempo em que muitos professores decidiram concorrer para o Ensino de Português no Estrangeiro, quando este ainda era tutelado pelo Ministério da Educação, sem saberem que passados quatro anos as regras iriam mudar e as suas expectativas de regressar a Portugal com vínculo ficariam pelo caminho.

Este Decreto-Lei é particularmente interessante porque marca a transição de um ensino virado para a reintegração em Portugal dos filhos dos emigrantes, para uma ambição projetada no futuro de uma língua de relevância global, em expansão em vários graus de ensino no estrangeiro, mais exigente, qualificada e reconhecida.

Foi a altura em que o Quadro de Referência para o Ensino de Português no Estrangeiro foi adotado tendo por base o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, aprovado pelo Conselho da Europa e que segue as melhores práticas internacionais neste domínio, com o objetivo claro de dotar o Estado com um instrumento que lhe permitisse desenvolver uma política mais ambiciosa de promoção e qualificação do ensino e da aprendizagem da língua portuguesa à escala internacional.

Poucos anos mais tarde e a refletir esta ambição que assim fazia o seu caminho, surgiu o estudo que confirma o enorme “Potencial Económica da Língua Portuguesa”, coordenado pelo professor Luís Reto. Portanto, a partir da segunda metade da primeira década do século XXI viveu-se um grande entusiasmo relativamente ao valor da língua portuguesa, uma língua global, presente em todos os continentes e com grandes perspetivas de futuro, muito particularmente por causa do crescimento demográfico em África.

Dito de outra forma, a língua portuguesa saía assim do gueto em que se encontrava, libertava-se dos constrangimentos que a encaravam como língua de emigração e entrava numa nova fase de afirmação, em convergência com os países lusófonos, com a ambição de ser falada em cada vez mais organizações internacionais e de exercer uma atração cada vez maior por via da projeção que lhe dava o seu poder económico e cultural a partir da valorização que ganhou com a criação da CPLP, em 1996.

É uma língua falada nos oito países de expressão portuguesa, pelos portugueses residentes no estrangeiro espalhados pelo mundo, pelos lusodescendentes e por cada vez mais estrangeiros. E esta dimensão global da língua, a quinta mais falada, é pouco compatível com a visão estreita de quem defende o Ensino do Português no Estrangeiro de forma redutora, num à parte para os filhos de emigrantes, como no início da nossa democracia, nos anos 70.

O mundo mudou e as Comunidades portuguesas também. Mas o Ensino de Português no Estrangeiro será sempre um pilar da afirmação global da língua e da sua ambição de se tornar uma língua cada vez mais falada, sem fronteiras, para todos, independentemente da sua origem, adaptada à enorme diversidade dos alunos e aos seus níveis de conhecimento.

 

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2 Comments Deixe uma resposta

  1. Bom dia Teresa!
    Mais uma vez Parabéns pela Transparência com que apresentas os factos.
    Gostei imenso!
    Abraço!
    Cidália

  2. Ex.mo Sr. Deputado
    Por quem é, desca ao planeta Terra, Anno Domini 2021, e deixe-se de enaltecer o Português como língua näo se sabe bem de quê porque na verdade a continuar neste caminho, apoiado por um estranho e elitista clube de mentes captas que só estäo interessadas em vender manuais de péssima qualidade , certificados de valor nulo e ditos cursos de formacäo de professores ministrados por indivíduos que nunca deram uma aula na sua vida , mas que estäo muito interessados em fazer carreira à custa dos portugueses no estrangeiro, que desprezam tanto que até acham melhor que falem a sua língua de origem como língua estrangeira, pervertendo o princípio do escritor Eca de Queirós que costumava dizer que “devemos falar mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros”, näo vai ficar nada para ninguém, como se costuma dizer.
    Todos os ilustres membros do clube das mentes captas, acima citado, querem isso mesmo, “portugueses”, aspas intencionais, no estrangeiro, falando mal a sua língua e desconhecendo a sua cultura.
    Isto porque o clube das mentes captas näo quer saber dos portugueses e prefere privilegiar os estrangeiros que considera superiores.
    Veja os números, senhor deputado, os números cada vez mais reduzidos de criancas e jovens portugueses no estrangeiro que as mentes captas näo querem deixar aprender a sua língua.
    Vamos ter no próximo ano letivo menos 300 na Alemanha e menos MIL na Suíca, finalmente atingido um recorde num país que tem à frente uma senhora responsável pelo ensino que é sempre classificada com “Excelente” no seu desempenho porque faz desaparecer alunos aos montes.
    Mas numa coisa tem razäo, Senhor Deputado. É que os professores portugueses no EPE säo uns párias sem eira nem beira, näo têm carreira nem vínculo, nem cá nem lá, porque ninguém quer saber deles e dos alunos muito menos.
    No Ensino do Português no Estrangeiro nunca houve guetos. Havia, sim, aulas de Português com qualidade e gratuitas para as criancas e jovens lusodescendentes,
    E agora já quase näo há nada porque as mentes captas assim o decidiram.E o senhor ainda as elogia, apesar de ser Deputado da Emigracäo.
    Tenha cuidado porque as mentes captas näo gostam da emigracäo, acham que é uma vergonha, e qualquer dia , depois de acabar com os alunos e professores, podem resolver também acabar com os deputados dessa vertente, quem sabe?

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