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O Comité Aristides de Sousa Mendes de Bordeaux, que também é Delegação da Liga dos Combatentes e Resistentes Portugueses, vai inaugurar no próximo domingo, dia 12 de setembro, uma placa no antigo Campo de Gurs onde, durante a II Guerra mundial, foram concentrados milhares de espanhóis e 349 combatentes Portugueses. Para tal, o coletivo associou-se à associação Terres de Mémoire (s) et de Luttes e à associação France Portugal Europe de Oloron-Sainte Marie.

O campo, nos arredores de Oloron (64), tinha sido instalado para “acolher” parte de membros das Brigadas Internacionais que apoiaram os Republicanos durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939) e que se refugiaram em França após a vitória das forças franquistas.

A placa em granito que agora vai ser inaugurada oficialmente, foi mandada construir em Portugal e foi instalada em maio, na presença de representantes do Comité, nomeadamente de Manuel Dias, que se deslocou de Bordeaux, e Valentim Fernandes.

O Campo de concentração de Gurs serviu de “internamento administrativo” entre o dia 2 de abril de 1939 e o dia 31 de dezembro de 1945, e por ali passaram cerca de 64.000 pessoas.

Em janeiro e fevereiro de 1939, quase meio milhão de refugiados Republicanos espanhóis e membros das Brigadas internacionais refugiaram-se no sul da França, passando a fronteira dos Pirenéus, fugindo à repressão sangrenta das forças espanholas lideradas por Franco. Cerca de 2.500 combatentes portugueses na Guerra civil espanhola – comunistas, anarquistas, socialistas ou democratas liberais – também fugiram para França.

Foi nessa altura que o Governo da III República francesa criou o sinistro Camp de Gurs. Foi um dos primeiros campos de concentração criados em França e um dos mais importantes.

Depois dos Republicanos espanhóis e dos voluntários das Brigadas internacionais, seguiu-se um período de “internamento” dos “indesejados”, essencialmente mulheres originárias da Alemanha e dos outros países do Reich, mas também os Comunistas, os Bascos espanhóis,… por delito de opinião.

A partir de setembro de 1940, mais de 18.000 Judeus estrangeiros, homens, mulheres e crianças, foram ali colocados pelo Regime de Vichy, sendo depois sistematicamente deportados para Auschwitz e exterminados a partir de 1942.

Entre agosto de 1944 e o final do ano de 1945, foram levados para Gurs os “Collabos” e algumas centenas de antifranquistas espanhóis.

Desde há alguns anos, o Comité Aristides de Sousa Mendes participa numa cerimónia anual em memória das vítimas do Camp de Gurs e este ano, é então inaugurada esta placa em homenagem aos 349 portugueses que também ali estiveram presos.

 

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