Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Donativos LusoJornal

O Deputado socialista eleito pelo Círculo da Europa, Paulo Pisco, fez uma intervenção ontem na reunião da Comissão Nacional do PS, em que declarou apoio ao candidato Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República. “É hoje mais importante que nunca o nosso país ter um Presidente da República que possa garantir a estabilidade política e o regular funcionamento das instituições, apelando ao diálogo e ao bom senso”.

“Os tempos que vivemos são de grande imprevisibilidade quanto ao futuro, de fragmentação partidária e de sectarismos, de radicalização de diferenças, que tornam mais difícil o entendimento e os consensos. É por isso que precisamos de fazer tudo para encontrarmos caminhos da coesão nacional e da estabilidade política, para enfrentarmos mais fortes a profunda crise económica e social que já vivemos e ainda não tem fim à vista, derivada daquela que é a maior crise sanitária dos últimos 100 anos” disse Paulo Pisco na sua longa intervenção. “Em democracia, a humildade política e a capacidade para reconhecer o bom desempenho dos outros é um dos maiores bens e o melhor caminho para alcançar consensos e formas de cooperação institucional, para que as pessoas possam ter uma vida mais tranquila e um futuro mais previsível”.

O Deputado apoia a decisão do Secretariado do PS de dar liberdade de voto aos seus militantes. “Pessoalmente não partilho a ideia de que a política deva apenas ser feita de divergências e tensões, nem tão pouco que seja uma desonra convergir com outros espaços políticos democráticos quando está em causa um bem maior”. E explicou que “tal como já aconteceu noutras eleições, o PS não precisa necessariamente de se pronunciar por um ou outro candidato, já assumido ou em perspetiva. E por isso também não deve criar obstáculos a candidatos oriundos no nosso espaço político, tal como não deve induzir dilemas morais nos militantes e simpatizantes que queiram fazer outras escolhas. E neste sentido, subscrevo integralmente, a posição do Secretariado de dar liberdade aos militantes”.

Por enquanto, o atual Presidente da República ainda não anunciou a sua candidatura, mas Paulo Pisco considera que “muitos socialistas se revêm no exercício do seu mandato, como o prova uma recente sondagem e como nós sabemos pelos que nos são próximos. Nele vêm um garante da estabilidade política, um defensor dos valores da República e alguém com uma extraordinária capacidade para projetar internacionalmente o nosso país, para defender as Comunidades portuguesas espalhada pelo mundo, para defender o projeto europeu, a nossa ligação a África e ao universo da lusofonia e a relação transatlântica, dimensões centrais da política externa portuguesa”.

“Marcelo terá o seu estilo irrequieto, o seu gosto pelos afetos, mas também não deixa de ser verdade que é precisamente por isso que os Portugueses o apreciam, Portugueses de todo o espetro partidário e de todas as camadas sociais. Mas o mais importante é que nada disto tem prejudicado o essencial, que é uma saudável cooperação institucional que tem havido com os órgãos de soberania. Nem a sua liberdade e independência no exercício das suas funções, aprovando o que é para aprovar, vetando as leis que lhe suscitam dúvidas, deixando alertas quanto são necessários para recuperar equilíbrios, criticando com a mesma facilidade e bom senso com que faz elogios”.

E o Deputado que representa a emigração portuguesa na Europa afirma que “sempre vi o Professor Marcelo como alguém que preza genuinamente a estabilidade e isso foi visível ao longo de todo o seu mandato. E isto não propriamente por gostar do PS, mas por considerar que as crises, que muitas vezes são mais artificiais do que absolutamente necessárias, fazem mais mal que bem ao país e são uma grande fonte de perturbação económica e de desilusão para os eleitores”.

“E nunca será demais lembrar que era Marcelo Presidente do PSD entre 1996 e 1999 quando, pela primeira vez, um Governo minoritário conseguiu mesmo assim chegar ao fim do mandato, era então Primeiro Ministro António Guterres” disse Paulo Pisco na sua intervenção. “Há quem veja o Presidente Marcelo como um populista. Eu vejo-o como homem popular, que gosta das pessoas e de quem as pessoas gostam, que está próximo delas, como considero que os políticos devem estar, e que também é uma forma de valorizar a política, ao mesmo tempo que dessacraliza o exercício dos cargos políticos. Já não estamos em tempos de distâncias monárquicas. Enquanto Presidente da Républica, Marcelo tem puxado pelo orgulho nacional e pela autoestima dos portugueses, fundamental para um país e um povo que, não obstante o imenso potencial e a riqueza dos nosso legado histórico, cultural e humano, espalhado pelos quatro cantos do mundo, ainda não se libertou totalmente dos complexos de inferioridade, de excesso de timidez, do medo de existir, como diria o filosofo José Gil”.

Na intervenção do também Coordenador dos Deputados do Partido Socialista na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas disse que “permitam-me que faça uma referência muito particular às Comunidades portuguesas, num domínio que me é muito caro e que deve estar sempre presente no debate público. As Comunidades portuguesas são um domínio absolutamente fundamental, não apenas da nossa dimensão externa, mas também interna e Marcelo, muito antes de ser eleito, já estava presente junto dos Portugueses residentes no estrangeiro ouvindo-os e falando com eles. E apesar de o PS já ter tido Presidentes extraordinários, como Mário Soares e Jorge Sampaio, nas Comunidades Marcelo tem sido absolutamente inexcedível. Sou testemunha disso, sou testemunha da forma com sempre soube puxar pelo seu orgulho e reconhecer o seu valor, como sempre as soube ouvir e nunca lhes virou as costas. E sei bem como os nossos compatriotas no estrangeiro o apreciam e nele confiam para a defessa dos seus interesses”.

Para concluir, referindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Pisco afirmou que “no estrangeiro, como todos sabemos, é um estadista prestigiado, um símbolo de modernidade, de abertura de inteligência política, que pelo seu desempenho e personalidade, tem promovido mais o país do que qualquer campanha publicitária”. E concluiu que “é por isso que não tenho dúvidas sobre a quem darei o meu voto nas próximas eleições presidenciais e considerei importante partilhar esta decisão com os nossos camaradas e com as nossas Comunidades, como um dever de consciência”.

 

Política
X