A higienização genital feminina permite a remoção de resíduos e secreções acumuladas na região.
Os produtos de higiene íntima são variados. São formulados para respeitar o equilíbrio natural da zona íntima feminina. Geralmente contém ingredientes como ácido láctico, que ajuda a manter o pH adequado, e substâncias hidratantes e anti-irritantes.
Um bom produto para a higiene íntima da mulher é aquele que protege o meio vaginal, tendo em conta as suas características; não esquecendo que os tecidos que envolvem o aparelho genital têm um pH diferente do resto da pele.
.
O produto IDEAL será:
– não ter odor – o perfume está associado a substâncias desodorizantes que podem provocar reações alérgicas e desconforto
– não irritar
– não secar
– não suscitar alterações da função barreira
– manter o pH ácido
– ação refrescante e desodorizante
– viscosidade adequada
– detergência suave
.
Os produtos disponíveis no mercado agrupam-se segundo a sua função, em agentes de limpeza, hidratação, proteção e facilitação das relações sexuais.
Os sabões comuns não são recomendados para higiene vaginal, uma vez que o seu pH alcalino pode destruir a camada superficial lipídica (gordurosa) da pele, levando a uma secura excessiva. Não usar o vulgar sabão «azul e branco».
Os sabonetes de glicerina são igualmente desaconselhados, pelo seu excessivo conteúdo de glicerina que pode absorver água em excesso para fora da pele, causando potencialmente mais secura e irritação cutânea.
Os “novos” sabões foram desenvolvidos com o objetivo de não ressecar a pele. Possuem pH neutro ou ligeiramente ácido, efeito detergente, fazem espuma e o seu uso é agradável.
Os géis são constituídos por uma fase aquosa, maioritariamente água, com pouca ou nenhuma quantidade de lípidos. Aos agentes tensoativos suaves associam-se agentes gelificantes hidrofílicos, que produzem espuma com a massagem e conferem poder adstringente, tornando o uso muito agradável e proporcionando uma sensação de frescura.
Os toalhetes humedecidos possuem uma base celulósica embebida em detergentes suaves e com adição de produtos amaciadores, fragrâncias e outros constituintes. Têm pH na faixa de 5 a 6, sendo úteis em algumas situações, como a higiene fora de casa, sanitários de uso público, etc.
Os sabonetes líquidos íntimos são produtos à base de ácido láctico – um componente natural da pele -, que diferem entre si pelos vários excipientes associados. De entre os compostos presentes nos sabonetes líquidos, os mais importantes são o ácido láctico, a glicerina e sais de ácidos gordos, que retiram a sujidade da pele e controlam o pH e EDTA.
A higiene íntima é muito importante e deve ser feita de forma adequada para não prejudicar a saúde íntima da mulher.
Trata-se de uma prática fundamental para evitar o aparecimento e intercorrência de infeções vaginais, extremamente frequentes no sexo feminino.
Os produtos utilizados devem contribuir para o bem-estar, conforto, segurança e saúde da mulher ao longo do seu ciclo de vida. A morfologia e fisiologia da vulva e vagina mudam ao longo da vida da mulher (puberdade, ciclo menstrual, gravidez e menopausa), devido essencialmente às alterações hormonais.
No que se refere ao pH vaginal, verifica-se uma evolução de pH alcalino durante a infância, até à puberdade, altura em que se torna ácido. Durante o climatério, o pH torna-se semelhante ao da infância devido ao declínio da produção hormonal.
A manutenção do pH ácido nesta região é fundamental na prevenção e controlo de doenças.
Os produtos agrupam-se segundo a sua função, em agentes de limpeza, hidratação, proteção e facilitação das relações sexuais.
São particularmente úteis na menstruação, após atividade física ou sexual, após depilação, secura vaginal, puerpério recente, irritações, infeções e inflamações vulvovaginais, sensibilidade e menopausa.
.
Frequência recomendada
O mais importante da área genital é a sua lavagem com banhos de água corrente e com produtos de higiene, sempre evitando arrastar o conteúdo perianal para a região vulvar e as áreas lavadas devem ser cuidadosamente secas com toalhas limpas e secas, que não agridam o epitélio da região.
A frequência da higienização é de acordo com o clima, biotipo da mulher, atividade física, ciclo menstrual e doenças associadas. Naturalmente diária e podendo ser mais frequente consoante esses fatores. O tempo de higiene genital não deve ser superior a dois a três minutos, para evitar a secagem excessiva local.
Durante a menstruação, pode ser necessário um cuidado mais frequente para manter a higiene e conforto.
Consoante a frequência da higienização assim é necessária a hidratação.
O uso sistemático do penso higiénico diário não é recomendado. Nas mulheres com excesso de transpiração ou incontinência urinária, é importante manter o ambiente genital seco.
O vestuário é um fator importante, por isso, para além de trocar a roupa íntima diariamente, é recomendável o uso de peças que favoreçam a ventilação local, além de evitar vestuário molhado de modo a evitar a irritação.
.
Principais riscos
Um dos principais riscos é lavar demasiado a zona genital ou usar em exagero este tipo de produtos.
Nestes casos, altera-se a flora habitual da zona vulvo-vaginal, as condições de humidade ideais e o seu pH.
A limpeza excessiva pode agravar os sintomas vulvares (por exemplo, sintomas de dermatite de contacto) ou alterar as condições naturais da zona íntima, especialmente o pH e a microbiota vaginal.
Devido aos riscos de eliminação da flora vaginal, as lavagens internas (duches vaginais) são desaconselhadas à saúde íntima feminina. Isto até porque a vagina possui mecanismos próprios de autolimpeza.
Pessoas com pele sensível ou alergias devem ser particularmente cautelosas e escolher produtos hipoalergénicos.
Da mesma forma que percebemos a pele do nosso corpo ou da face, devemos perceber também as necessidades da nossa vagina e da nossa vulva.
Há mulheres com mais necessidade de produtos de higiene e de hidratação do que outras e essa necessidade também é variável também consoante a fase da vida e a sua faixa etária, principalmente na menopausa.
Para manter a área genital limpa e saudável, é importante lavar apenas a vulva com água e um sabonete suave, evitar produtos irritantes, trocar absorventes e tampões regularmente, usar roupas íntimas de algodão e evitar roupas muito apertadas.
Além de a manter limpa, a secagem suave é das fases mais importantes e a hidratação para se manter saudável e sem irritações.
No entanto, é sempre importante recorrer a um profissional de saúde para obter recomendações personalizadas, especialmente se tiver condições específicas ou preocupações com a saúde íntima.
.
Dra. Irina Ramilo
Ginecologista / obstetra
Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia
Hospital Vila Franca de Xira
Centro Especializado de Endometriose do Hospital Lusíadas em Lisboa
Membro da Direção da Sociedade Portuguesa da Ginecologia