A 22ª edição do festival “Brésil en Mouvements” está prestes a começar e, este ano, abre sob o signo das resistências. A sessão inaugural, marcada para 17 de setembro, apresenta “Yanuni”, documentário de Richard Ladkani coproduzido por Leonardo DiCaprio e pela líder indígena Juma Xipaia. O filme, já distinguido com mais de vinte prémios internacionais – entre eles o prestigiado Grand Teton Award dos Jackson Wild Media Awards – acompanha o combate dos povos indígenas pela proteção da Amazónia e anuncia o tom de uma edição centrada nos grandes desafios contemporâneos do Brasil.
Ao longo de três dias, o festival propõe uma programação dedicada à democracia, à justiça social, aos direitos humanos, à luta pela terra e às questões ambientais. Num momento em que o Brasil se prepara para uma nova etapa eleitoral, “Brésil en Mouvements” convida o público francês a compreender melhor as transformações que atravessam a sociedade brasileira, mantendo o compromisso que o caracteriza há mais de duas décadas: fazer do cinema documental um espaço de diálogo, reflexão e cidadania.
A sessão de abertura, no dia 17 de setembro, contará com a presença da escritora indígena Trudruá Dorrico Makuxi. “Yanuni” acompanha Juma Xipaia, alvo de várias tentativas de assassinato, na defesa do seu território amazónico. A espera do primeiro filho transforma esta luta numa batalha pela sobrevivência das gerações futuras.
No dia 18 de setembro, às 19h30, será exibido “Pas de soleil ici”, de Karol Maia, seguida de debate com a realizadora. O documentário cruza a busca íntima com a memória histórica ao acompanhar o percurso das trabalhadoras domésticas no Brasil, revelando a luta diária destas mulheres para romper com a sua condição e abrir às filhas a possibilidade de um futuro diferente.
A programação de 19 de setembro inicia-se com um debate político sobre as eleições brasileiras e os seus desafios para a democracia. Segue-se uma sessão dupla com “Pau d’Arco”, de Ana Aranha, e “Rio continue d’être belle”, de Felipe Casanova. O primeiro acompanha a luta dos camponeses pela reforma agrária, marcada por um massacre que deixou feridas profundas na comunidade. O segundo, situado no Carnaval do Rio de Janeiro, entrelaça a celebração popular com a dor de uma mãe cujo filho foi vítima da violência policial, transformando a festa num espaço de memória e resistência.
Além das projeções e debates, o festival oferece um ambiente convivial com bar de especialidades brasileiras – caipirinhas, pão de queijo e outras iguarias -, música e stands de parceiros.
Desde 2005, “Brésil en Mouvements” apresenta ao público francês um olhar plural sobre o Brasil através do cinema documental. Para garantir a realização desta 22ª edição, a associação Autres Brésils lançou uma campanha de apoio com o objetivo de angariar 5.000 euros, destinados a financiar a vinda de convidados do Brasil, o trabalho de legendagem e a organização dos encontros com o público.
Toda a programação e informações adicionais estão disponíveis no site da associação Autres Brésils, AQUI.







