
A segunda reunião do Conselho Estratégico da Diáspora do Partido Socialista colocou no centro da discussão uma questão que atravessa gerações de portugueses residentes no estrangeiro: o desejo de regressar a Portugal. A sessão, dedicada ao tema “O que deve fazer Portugal para reter os seus e atrair os que emigraram”, reuniu mais de 30 participantes oriundos de vários países europeus e americanos, entre eles França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Noruega, Polónia, Brasil, Venezuela, Canadá e Portugal.
O encontro contou com a participação do Secretário‑geral do PS, José Luís Carneiro, do Diretor do Departamento de Comunidades, Paulo Pisco, e do Adjunto para os Assuntos Económicos, Sérgio Ávila, que ouviram testemunhos e propostas de membros da diáspora sobre os desafios enfrentados por quem pondera regressar ao país.
Segundo os participantes, embora o desejo de voltar seja comum a portugueses e lusodescendentes de diferentes idades, profissões e condições sociais, o processo continua marcado por “obstáculos significativos”. Entre os problemas mais referidos estão a falta de incentivos, a ausência de mecanismos de acompanhamento na reintegração, as dificuldades burocráticas e administrativas, e até preconceitos que persistem no acesso ao mercado de trabalho ou aos serviços públicos. Muitos relataram situações de frustração que, em alguns casos, levam ao regresso ao país onde anteriormente residiam.
Outros temas surgiram com força no debate: a necessidade de um apoio articulado para quem pretende fazer a transição para Portugal, as dificuldades no acesso à habitação, a desconfiança no sistema de saúde, questões fiscais, a inexistência de uma estratégia consistente para a política da língua portuguesa, a falta de reconhecimento de diplomas e as discriminações que ainda afetam residentes no estrangeiro quando regressam.
Na sua intervenção, José Luís Carneiro sublinhou que estas reuniões têm como objetivo “consolidar um projeto político estruturado”, capaz de se traduzir em “políticas públicas concretas” que respondam às necessidades da diáspora e valorizem o seu papel no desenvolvimento do país.
O Conselho Estratégico da Diáspora, composto maioritariamente por “não militantes” e com mais de 50 membros, afirma‑se como um espaço de reflexão e participação cívica, reunindo vozes diversas da Comunidade portuguesa espalhada pelo mundo.
De França participaram nomes como o economista Carlos Vinhas Pereira, os funcionários consulares Miguel da Costa (Paris) e Patrícia Guerreiro (Lyon), as professoras Rosa Maria Fréjaville (Saint Etienne) e Andreia Silva-Mallet (Clermont-Ferrand) ou a artista Nathalie Afonso, entre outros.
Esta segunda reunião reforçou a importância de ouvir quem vive fora de Portugal e de integrar essas perspetivas na definição de políticas que facilitem o regresso, promovam a igualdade de tratamento e reconheçam o contributo da diáspora para o futuro do país.






