Lusa | Miguel A. Lopes

Diogo Costa destacou‑se no Mundial’26, Ronaldo ultrapassou Eusébio e Renato Veiga consolidou estatuto na seleção portuguesa


A participação de Portugal no Mundial’26 terminou nos oitavos de final, com a derrota frente à Espanha (1-0) em Arlington, mas a campanha deixou três nomes em evidência: Diogo Costa, Cristiano Ronaldo e Renato Veiga. Num torneio em que a seleção nacional ficou longe do brilho esperado, o guarda‑redes do FC Porto foi a figura mais consistente, Cristiano Ronaldo despediu‑se com novos recordes e Renato Veiga afirmou‑se como titular indiscutível.

A Seleção regressou a casa sem deslumbrar nos Estados Unidos e no Canadá, com várias unidades abaixo do rendimento habitual, entre elas Rúben Dias, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo Silva. Fica por esclarecer se o desempenho coletivo ficou comprometido por questões de forma ou por incompatibilidade com as ideias de Roberto Martínez, que anunciou o fim do seu ciclo logo após a eliminação no Texas.

No meio das dificuldades, Diogo Costa assumiu o protagonismo na nona presença portuguesa em Campeonatos do Mundo. O guarda‑redes de 26 anos foi decisivo nos últimos três jogos: segurou o empate frente à Colômbia (0-0), foi determinante na vitória sobre a Croácia (2-1) nos 16 avos de final e adiou ao máximo o golo espanhol nos oitavos. As suas intervenções garantiram lugar entre os melhores guarda‑redes do torneio e deverão figurar nos registos das melhores defesas do Mundial’26.

Renato Veiga foi outra das surpresas positivas. O central do Villarreal ganhou o lugar a Gonçalo Inácio no início da competição e nunca mais o largou, somando todos os minutos disputados. As suas exibições ajudaram a compensar o momento menos afirmativo de Rúben Dias, que chegou ao Mundial com apenas um jogo competitivo pelo Manchester City nos três meses anteriores. Rúben Dias falhou a estreia frente à República Democrática do Congo (1-1), regressou diante do Uzbequistão (5-0), mas nunca atingiu o nível que o caracteriza.

Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, viveu o seu sexto e último Mundial. Marcou três golos e ultrapassou finalmente Eusébio como melhor marcador português na competição, somando 11 golos em 27 jogos. O ‘bis’ frente ao Uzbequistão derrubou a marca de nove golos do “Pantera Negra”, todos alcançados em 1966, e fez de Ronaldo o único jogador da história a marcar em seis fases finais. Mesmo veterano, foi o jogador de campo com mais minutos, apenas superado por Renato Veiga, e só saiu durante nove minutos no duelo com a Croácia – precisamente quando Gonçalo Ramos marcou o 2-1.

Entre as opções de Roberto Martínez, destacou‑se a titularidade de João Félix em três jogos, incluindo frente à Espanha, e a utilização reduzida de Bernardo Silva, que deixou de integrar o onze após o encontro com a RD Congo. Gonçalo Ramos, autor do golo decisivo frente à Croácia, não foi utilizado contra os espanhóis e somou apenas 35 minutos em todo o torneio. Nuno Mendes, apesar de não atingir o nível exibido no Paris Saint‑Germain, voltou a ser uma das figuras mais sólidas da equipa, anulando Yamal no duelo com a Espanha antes de sair lesionado.

Entre as surpresas negativas da convocatória, Gonçalo Guedes não somou qualquer minuto, tal como Gonçalo Inácio, que partiu para o Mundial com possibilidades reais de ser titular.

O Mundial’26, o primeiro com 48 Seleções, continua até 19 de julho nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

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Luís Garoupa e António João Oliveira

Enviados da Lusa

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