Paulo Rangel participou ontem em Paris para garantir apoio de Portugal à Ucrânia


O Ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, esteve ontem em Paris para participar na reunião da “Coalition of the Willing”, um grupo de países empenhados em reforçar o apoio político, militar e económico à Ucrânia numa fase considerada decisiva do conflito. O encontro decorreu no Hôtel national des Invalides, reunindo chefes de Estado, de Governo e Ministros de cerca de três dezenas de países, incluindo o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o Presidente francês Emmanuel Macron, o Chanceler alemão Friedrich Merz, o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer, a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, e o Presidente do Conselho europeu, António Costa.

A reunião, convocada pela França e pelo Reino Unido, procurou consolidar a unidade transatlântica e acelerar medidas de apoio à Ucrânia, num momento em que os Aliados consideram existir “dinâmicas mais favoráveis no terreno” e uma necessidade urgente de reforçar a defesa aérea ucraniana.

Entre os temas centrais esteve o combate à chamada “frota sombra” russa, utilizada para contornar sanções e financiar o esforço de guerra de Moscovo, bem como o aumento da pressão económica através de novos pacotes de sanções europeias.

Os participantes sublinharam ainda a importância de preparar a Ucrânia para o próximo inverno e para o período pós‑cessar‑fogo, incluindo a definição de garantias de segurança que impeçam futuras agressões. Foi igualmente destacada a criação de uma “Anti‑Ballistic Missile Coalition”, destinada a acelerar o desenvolvimento de capacidades de defesa antibalística no espaço europeu, e a concessão de licenças para a produção de interceptores em território ucraniano.

Segundo o comunicado conjunto dos copresidentes da coligação, divulgado após a reunião, os países reafirmaram o compromisso de apoiar a Ucrânia “pelo tempo que for necessário”, incluindo com assistência militar, financeira e humanitária. A coligação manifestou também apoio à realização de negociações de paz que respeitem o direito internacional e garantam a soberania e integridade territorial da Ucrânia, reiterando que “não haverá paz sem a Ucrânia” e que qualquer acordo que envolva interesses europeus deve contar com o consentimento dos Estados‑membros da UE e dos Aliados da NATO.

A reunião em Paris marcou igualmente um passo na operacionalização da “força multinacional para a Ucrânia”, que deverá iniciar exercícios fora do território ucraniano para testar os planos de estabilização pós‑cessar‑fogo. A Presidência francesa sublinhou que o objetivo é demonstrar “credibilidade” e enviar um sinal claro à Rússia de que os Aliados estão preparados para garantir que um eventual cessar‑fogo seja respeitado.

Em declarações divulgadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel reforçou que “Portugal se mantém ao lado da Ucrânia”, contribuindo de forma consistente para os esforços internacionais de apoio político, militar e humanitário. O Ministro destacou que, num momento crítico do conflito, é essencial “manter e intensificar o apoio”, nomeadamente no reforço da defesa aérea, na pressão económica sobre Moscovo e na preparação das condições para a reconstrução e para um futuro acordo de paz.

A presença portuguesa em Paris insere‑se na estratégia de Lisboa de participar ativamente nas iniciativas europeias e transatlânticas de apoio à Ucrânia, alinhando‑se com as conclusões recentes das cimeiras do G7 em Evian e da NATO em Ancara, que reforçaram a unidade dos aliados e a prioridade dada à segurança europeia.

Com a guerra a entrar numa nova fase e com a comunidade internacional a preparar o “dia seguinte”, a reunião da “Coalition of the Willing” em Paris procurou reafirmar que o apoio à Ucrânia permanece firme, coordenado e sustentado – e que Portugal continua empenhado em contribuir para uma solução que garanta uma paz justa e duradoura.

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