Micheline Pelletier apresenta nos Açores o seu olhar poético e documental sobre o arquipélago


A fotojornalista francesa Micheline Pelletier, uma das figuras mais reconhecidas do fotojornalismo internacional, está a apresentar nos Açores a exposição “Os Açores – Um Jardim sobre o Atlântico”, patente ao público no Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, até 6 de setembro. A mostra, organizada em parceria com a editora e livraria Letras Lavadas, integra a programação de “Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura” e reúne um conjunto de fotografias captadas pela autora ao longo de várias estadias no arquipélago desde 2020, período em que percorreu as nove ilhas em diferentes estações do ano.

O trabalho apresentado resulta de uma aproximação sensível à paisagem açoriana, onde luz, natureza e cultura se cruzam numa narrativa visual que combina o rigor documental com uma dimensão poética. A fotógrafa procura revelar o arquipélago como um “jardim sobre o Atlântico”, mas também como um território marcado por um equilíbrio frágil entre biodiversidade, identidade cultural e desafios ecológicos contemporâneos. A exposição inspira-se no livro homónimo publicado em 2023, já traduzido para português e inglês, e propõe uma reflexão sobre os Açores enquanto espaço singular no contexto das grandes questões ambientais globais.

Nascida em Paris em 1953, Micheline Pelletier construiu uma carreira de referência no fotojornalismo mundial. Trabalhou para as agências Gamma e Corbis‑Sygma e é atualmente representada pela Getty Images. Ao longo de décadas, documentou realidades sociais, políticas e culturais nos cinco continentes, com reportagens que abrangem contextos tão diversos como o Camboja no pós‑Khmer Vermelhos, o Irão no início do regime de Khomeini, a Polónia de Lech Wałęsa ou crises humanitárias em África. A sua série de retratos dos laureados com o Prémio Nobel da Paz foi publicada em mais de 27 países e exposta em instituições de referência na Europa e nos Estados Unidos. Desde 2001, é fotógrafa oficial do prémio L’Oréal‑UNESCO Para as Mulheres e a Ciência, trabalho que a levou a viajar pelos cinco continentes durante mais de uma década.

O Museu Carlos Machado sublinha que a exposição resulta de um olhar profundamente comprometido com as grandes causas humanas e ambientais, traço que atravessa toda a obra de Pelletier. As imagens agora apresentadas nos Açores reforçam essa dimensão, revelando um território onde a força da natureza, a identidade insular e a relação humana com o ambiente se tornam elementos centrais da narrativa visual. A mostra conta com o apoio do Governo dos Açores, da Métropole Toulon Provence Méditerranée, da Villa Tamaris – Centre d’Art, de L’Œil en Syne e da Letras Lavadas.

A inauguração decorreu a 11 de junho e a entrada é livre, permitindo ao público açoriano e aos visitantes descobrir o trabalho de uma fotógrafa cuja carreira se distingue pela capacidade de unir testemunho histórico, sensibilidade estética e compromisso ético. Até ao início de setembro, “Os Açores – Um Jardim sobre o Atlântico” oferece uma oportunidade rara de ver o arquipélago através de um olhar internacional que, ao longo de vários anos, encontrou nos Açores um território de inspiração profunda e contínua.

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