“Parfums de Lisbonne”: uma língua para a memória na SNOB Livraria, em Lisboa


A 19ª edição do festival “Parfums de Lisbonne”, organizada pela companhia de teatro parisiense Cá e Lá, dirigida por Graça dos Santos, regressa este verão com uma proposta artística que cruza Paris e Lisboa e que, mais uma vez, coloca a criação contemporânea no centro das questões de memória, migração e transmissão entre gerações. No próximo dia 16 de julho, às 18h00, a SNOB Livraria (Travessa de Santa Quitéria, 32 A, em Lisboa) acolhe a performance “Transmissões – Transmissions: Nous allons inventer une langue”, uma apresentação polifónica que convoca literatura, dança, música e teatro para pensar as identidades mediterrânicas e as histórias familiares que atravessam fronteiras.

Integrada na Saison Méditerranée 2026, iniciativa do Institut français dedicada às utopias especulativas, às identidades plurais, às espiritualidades contemporâneas, às migrações e à construção de narrativas, esta edição de “Parfums de Lisbonne” destaca o papel das juventudes e das diásporas na circulação de ideias e na renovação das linguagens artísticas. A Compagnie Cá e Lá associa‑se, este ano, à Universidade Paris Nanterre, no âmbito do projeto “Jeunesses méditerranéennes”, desenvolvido em parceria com a Cité Internationale Universitaire de Paris. Trata‑se de um programa que aborda, de forma ampla, os modos de vida, as memórias familiares, as migrações e os processos de transmissão entre gerações.

A performance apresentada em Lisboa parte de uma frase‑mantra – “Nous inventerons une langue, une langue pour la mémoire, une langue pour les histoires” – para explorar o silêncio como herança, a dupla cultura como ponto de partida e a morte dos pais como momento de revelação de narrativas íntimas. A partir de textos autobiográficos e ficcionais de Clara Yse, José Luís Peixoto, Jacques Prévert, Philippe Artières, Camille Lefebvre, Didier Eribon, Caroline Dawson e José Vieira, os intérpretes constroem uma apresentação onde poesia e prosa se tornam corpo, voz e movimento. O espetáculo integra ainda ecos de canções de Benjamin Biolay e Laura Cahen, reforçando a dimensão sensorial e afetiva da proposta.

A direção artística e teatral é de Graça dos Santos, que assina também a encenação e as leituras dirigidas. A curadoria literária é de José Manuel Esteves, enquanto a dança e a fotografia ficam a cargo de Adrien Martins. Os intérpretes Gonçalo Cordeiro, Anna Mirabella e Leonardo Castro dão vida a esta criação que convoca memórias familiares, deslocações geográficas e identidades em transformação. Os figurinos são de Isabel Vieira.

A iniciativa conta com a colaboração de várias instituições francesas e portuguesas, entre elas o Cinéma MK2 Beaubourg, o Consulado‑Geral de Portugal em Paris, a Maison du Portugal – André de Gouveia e a Maison du Brésil (CiuP), a Chaire Lindley Cintra do Instituto Camões, o leitorado de Português da Universidade Paris 8 – Saint‑Denis, o CRILUS (Universidade Paris Nanterre), o SAPRAT – École Pratique des Hautes Études e a própria SNOB Livraria. O projeto é apoiado pela Mairie de Paris – DGRI, pela Direção‑Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP), pela Universidade Paris Nanterre e pela Comme à Lisbonne / Pâtisserie.

A sessão termina com um debate entre artistas e público, prolongando a reflexão sobre como se transmitem memórias, como se reinventam línguas e como se constroem narrativas que atravessam gerações e geografias. Uma proposta que reafirma o papel de “Parfums de Lisbonne” como espaço de encontro, criação e diálogo entre Paris e Lisboa, entre o Mediterrâneo e o mundo lusófono.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca