LusoJornal | Mário Cantarinha

Resposta do Deputado José Dias Fernandes à carta aberta enviada pelo cidadão José Robalo


Senhor José Robalo,

Li com atenção o correio aberto enviado ao LusoJornal à minha atenção.

Quero informar que a propriedade está aberta a todos os emigrantes sejam eles da cor que forem, crentes ou não crentes, não é um evento político é sim um evento de informação onde estarão fiscalistas, notários, professores da diáspora, etc.

Como emigrante que sou, também vivo fora há mais de meio século, melhor, somos emigrantes os dois, vivemos as mesmas dificuldades e também nunca deixei de acreditar que os emigrantes portugueses fazem parte inteira da Nação que é Portugal no mundo, somos os maiores embaixadores do nosso país, temos orgulho na nossa Bandeira e não existe maior patriotismo que o nosso, o dos nossos filhos e netos, somos nós que sentimos a saudade e temos orgulho de sermos portugueses.

Somos nós que fazemos o equilíbrio da Balança comercial entre Portugal e o resto do mundo por isso, somos sim portugueses não residentes, mas somos portugueses com plenos direitos iguais aos residentes e é essa a minha luta, como Deputado, quando fui eleito, jurei que nunca iria fazer um discurso institucional nem demagogo para agradar a qualquer partido, incluindo o meu que é o Chega, sempre objetivo e direto para não ser mais um dos de há 52 anos esse é o meu dever essa é a minha luta: defender os emigrantes portugueses, e isso nunca me vou resignar.

Tudo farei para que os nossos governantes nos tratem com igualdade aos residentes, quem me conhece sabe que nunca abandono.

O 25 de Abril para mim não foi uma Revolução, foi sim uma Traição, sobretudo para os emigrantes portugueses, os cravos da liberdade resignaram-se e ficaram em Portugal tal como a gaivota levou um tiro e ficou em Portugal, não veio ter com emigrantes portugueses, não passou a fronteira. Por isso, os cravos de Abril tornaram os emigrantes escravos. Impostos e mais impostos, o que eu chamo a este último de 7,5% quando compramos uma casa é de imposto ladrão.

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A sua segunda pergunta também merece atenção.

Sim, é possível defender a dignidade dos emigrantes e ao mesmo tempo defender a dos imigrantes, e no discurso do Chega está bem patente, pois o Chega já deu provas disso na defesa dos emigrantes e dos imigrantes. Eu quando emigrei tinha trabalho à minha espera, tive de arranjar contrato de trabalho e casa para dormir e levar dinheiro comigo para os primeiros tempos que estivesse sem trabalhar, tanto eu como o Senhor José Robalo não fomos bater à porta da Segurança Social, não fomos ocupar ou vandalizar casas para habitar, roubar, violar… Quando nós emigrámos, tivermos sempre o cuidado de respeitar as autoridades, as leis, os usos e costumes, inclusivo a religião dos países para onde fomos residir.

Sem demagogia, é este o discurso do Chega. Queremos emigração sim, que venham para Portugal com condições e não como escravos, queremos que quem vem para Portugal tenha um patrão e um contrato de trabalho assim como habitação que tenha dignidade como o senhor diz e bem.

O que não queremos é que venham cadastrados com registo criminal, que venham diretamente para o fundo do desemprego ou receber salário mínimo sem nunca terem descontado, pois há em Portugal quem descontou uma vida inteira e recebe uma reforma de 300 euros, e quem vem de fora e nunca trabalhou nem descontou, recebe avenças superiores ao salário mínimo, mais médico de família, apoio à habitação, sem pagarem água e eletricidade. Aí sim, o Chega diz que, se há dinheiro para quem vem de fora e nunca descontou, tem de haver para os portugueses também que trabalham e descontaram uma vida inteira. Então os portugueses não devem estar em primeiro?

Temos o caso do SNS. Nós, os emigrantes, pagamos contribuições, somos massacrados com impostos e até o médico de família nos retiraram. Isso sim, o Chega é contra. Eu, como Deputado, faço os meus descontos em Portugal e não tenho médico de família porque tenho residência em França. Pago um direito que não tenho. Acha normal?

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Quanto à segunda pergunta, nós não nos esquecemos da nossa história, temos sim de dar as mesmas oportunidades que nos deram, direitos, mas também deveres. Assim se passou com nós, emigrantes, em todos os países, seja em França, Suíça ou Luxemburgo, Andorra, etc.

Não podemos ser demagogos, apliquem-se as mesmas regras e que respeitem essas regras e tudo está bem, não há mais discussão.

Sabemos quem entra e quem sai, quem trabalha ou quem veio somente para vandalizar, roubar ou violar as nossas mulheres e nossas filhas.

Quem respeita as regras está a respeitar a nossa história, usos e costumes, mais as crenças de cada um.

É evidente que os direitos humanos existem para todos, ainda bem, mas com igualdade e reciprocidade, o ladrão deve ir para a prisão, o assassino deve ir para a prisão, o violador deve ir para a prisão, aquele que vandalizar deve prestar contas e pagar por isso, seja ele portugueses ou estrangeiro, ou as vítimas não devem ter acesso à justiça e aos direitos humanos também?

O Chega fala, e bem, de identidade Nacional porque a identidade de uma pessoa é um conjunto de características, valores e crenças. São dados únicos que nos definem e que nos distinguem de todas as outras. A identidade não é uma Nacionalidade, mas divide-se na vertente pessoal de cada um, o que me permite dizer que não compreendo a questão.

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Assim sendo, a última pergunta que o senhor José Robalo faz: se amanhã a diáspora conquistar o respeito político.

Como já frisei antes, desde o 25 de Abril que os políticos portugueses nunca respeitam a diáspora, serviram-se sim dela, ainda agora o Governo lançou o programa Portugal Não Global para incentivar os emigrantes e empresas dos emigrantes a investirem em Portugal mas, desde maio se um emigrante quiser investir ou comprar uma casa em Portugal paga mais 7,5% do que um português residente, isto sim isto dá revolta, por isso, penso aquilo que digo e luto pelo que faço. Já é tempo de nos unir e de agarrarmos o nosso destino nas mãos, para isso, todos os emigrantes que têm Cartão de Cidadão devem poder votar estejam eles onde estiverem, para isso temos de passar ao voto eletrónico, é por isso que eu luto também, mas só o Chega propõe esta medida para os círculos da emigração, os outros partidos não querem, no dia em que o Chega for Governo, não somente teremos o voto eletrónico, como um Ministério da emigração.

Senão, para termos o respeito dos políticos, teria de haver outra Revolução. Neste momento, o único partido que nos deu voz, foi o Chega.

Não tive o privilégio de ter estudado Filosofia, por isso, não sei o que é a hipocrisia, nem a demagogia. Pelos emigrantes estou cá. No dia que eu sentir que serei obrigado a entrar em discursos institucionais que não passam de pomada amaciadora, não perco mais tempo e vou-me embora.

José Dias Fernandes

José Dias Fernandes

Deputado (Chega) eleito pelo círculo eleitoral da Europa

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