
De 16 de outubro a 13 de dezembro, a MansA – Maison des Mondes Africains, em Paris, apresenta uma exposição dedicada a Amílcar Cabral. Intitulada “Amílcar Cabral: por um humanismo radical”, a iniciativa reúne nove artistas e propõe um olhar contemporâneo sobre o pensamento e o legado de uma das principais figuras das lutas pela independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
Nascido em 1924 e assassinado em 1973, Amílcar Cabral foi um dos fundadores do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde). Engenheiro agrónomo, humanista e pan-africanista, fez parte de uma geração de líderes africanos que marcou profundamente os movimentos de independência no continente.
Mais de cinquenta anos depois da sua morte, a exposição procura mostrar de que forma as suas ideias continuam a dialogar com questões atuais. Soberania, desigualdades, memória, identidade, deslocações populacionais ou as crises ecológicas estão entre os temas abordados.
Nove artistas em diálogo com Amílcar Cabral
Concebida por Armelle Dakouo e Ângela Benoliel Coutinho, a partir de uma ideia original de Paula Nascimento, a exposição coloca a cultura no centro do percurso. Uma escolha diretamente ligada ao pensamento de Amílcar Cabral, que considerava a cultura uma parte essencial dos processos de emancipação.
Em vez de apresentar apenas uma leitura histórica da sua vida, “Amílcar Cabral: por um humanismo radical” procura criar uma ligação entre o seu pensamento e a criação artística contemporânea. Fotografia, vídeo, instalação, têxteis e cinema fazem parte do percurso.
A exposição reúne trabalhos de Nú Barreto, Diogo Bento, Filipa César, Mónica de Miranda, Bento Oliveira, Hamedine Kane, Yuran Henrique, Sónia Vaz Borges e Sarah Maldoror. Os artistas representam diferentes geografias, da Guiné-Bissau a Cabo Verde, passando por Portugal e pelo Senegal, numa exposição marcada pela presença de diferentes espaços da lusofonia africana.
Entre os participantes encontra-se Filipa César, nascida no Porto em 1975 e atualmente a viver e trabalhar em Berlim. A artista e cineasta desenvolve há vários anos um trabalho em torno dos imaginários e da memória do movimento de libertação da Guiné-Bissau. Mónica de Miranda, também nascida no Porto, de pais angolanos, apresenta um trabalho que cruza imagem, memória, espaço e histórias das diásporas.
O percurso dá igualmente espaço ao cinema de Sarah Maldoror (1929-2020), cineasta ligada aos movimentos de libertação africanos. Três dos seus filmes são apresentados: “Fogo, île de feu”, “Carnaval dans le Sahel” e “À Bissau, le carnaval”.
A exposição será acompanhada por uma programação multidisciplinar, com concertos, projeções, encontros, debates e sessões de escuta coletiva. A MansA pretende assim prolongar a reflexão sobre Amílcar Cabral e sobre temas como o pan-africanismo, a memória, os feminismos, as questões ecológicas e as relações entre cultura e emancipação.
“Amílcar Cabral: por um humanismo radical” pode ser visitada de 16 de outubro a 13 de dezembro de 2026, na MansA – Maison des Mondes Africains, no número 26 da rue Jacques Louvel-Tessier, no 10º arrondissement de Paris. A exposição está aberta de quinta-feira a domingo, das 14h00 às 19h00. A entrada é gratuita.






