Filme francês “La Gradiva” é grande vencedor da 30ª edição do Festival Queer Lisboa


O filme “La Gradiva”, da realizadora francesa Marine Atlan, foi o grande vencedor do festival de cinema Queer Lisboa, ao ganhar o Prémio de Melhor Longa-Metragem e o Prémio do Público, anunciou a organização.

Na opinião do júri, que juntou a gestora cultural Kathleen Gomes, a programadora de cinema Maria João Madeira e o ator Miguel Nunes, o filme é “um fresco sobre as intermitências da juventude”, numa “obra que toca a fragilidade da natureza humana”.

“É uma ‘Viagem em Itália’ contemporânea que segue um grupo de adolescentes num instante decisivo de passagem para a idade adulta. […] As personagens questionam-se, apaixonam-se e magoam-se. A arqueologia da História, a formação das identidades e a procura de pertença convergem como movimento vital desta primeira fulgurante primeira obra”, lê-se no comunicado enviado à Lusa.

Na categoria “Competição de Documentários” também houve duplo vencedor ao juntar o Prémio de Melhor Documentário e o Prémio do Público. “O documentário espanhol ‘Corren las Liebres’, de Lorena Ros, é um olhar franco sobre a acumulação de marginalidades e o desabrigo da população trans ex-presidiária com cenário no centro de Barcelona”, refere a organização.

Para o júri, formado pela programadora de cinema Diana Cipriano, pelo jornalista Filipe Santa-Bárbara e por Luis Rosado, da equipa editorial da RTP2, o filme mereceu o prémio “pela sua generosidade e respeito no olhar da câmara, pelo magnetismo das mulheres que retrata, […] e a forma como deixa o seu caráter elevar-se acima de todas as vulnerabilidades”, lê-se no comunicado.

A realizadora recebeu um prémio monetário de três mil euros, patrocinado pela RTP2, pela aquisição dos direitos de exibição do filme.

Segundo a organização, o júri atribuiu ainda uma menção honrosa ao documentário vietnamita “Baby Jackfruit Baby Guava”, de Nông Nhật Quang, que “faz uma viagem ao passado através dos diários e fotografias de família do realizador”.

“O Prémio de Melhor Filme da Competição Queer Art, secção dedicada a obras que exploram os limites das linguagens e géneros cinematográficos, foi atribuído ao documentário mexicano ‘Nuestro Cuerpo Es una Estrella que Se Expande’, dos irmãos Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco, uma reflexão sobre a sensibilidade trans cruzada com a paisagem e com as ligações familiares”, lê-se no comunicado.

O júri atribuiu também uma menção honrosa ao filme “Life Is about Losing Everything”, dos irmãos Benjamin Ramírez Pérez e Stefan Ramírez Pérez, um “fascinante e colorido híbrido que funciona como adaptação do muito particular universo da poeta e escritora feminista canadiana Lynn Crosbie”, e que foi apresentado no festival em estreia mundial.

Na categoria de Curtas-Metragens, o prémio foi para o filme “Je veux qu’on se souvienne de nous”, da escritora francesa Hélène Giannecchini, enquanto “Fronteriza”, de Nay Mendl e Rosa Caldeira, conquistou o Prémio AltContent.

“Seek No Favor”, das norte-americanas Elle Clay e Leilah Weinraub, recebeu uma menção especial do júri, enquanto “Xylella Fastidiosa”, do francês Thomas Colineau, foi o favorito do público.

“Na Competição In My Shorts, dedicada a curtas-metragens de escolas de cinema europeias, ‘Ãsheghetam’ do iraniano Filmsaaz venceu o melhor filme, e ‘Sunday Lunch’ de Lyndon Henley Hanrahan foi agraciado com uma menção honrosa do júri”, refere a organização.

Segundo a organização, a 30ª edição do Queer Lisboa “foi a mais concorrida de sempre”, tendo em conta que registaram mais de 11.500 espectadores, o “número mais elevado da sua história”, e que representa um aumento de 53% em comparação com 2025.

A organização anuncia ainda que será exibida uma seleção de curtas-metragens vencedoras no dia 01 de outubro, na Garagem da Vizinha, em Lisboa, e que a edição do próximo ano terá lugar entre os dias 17 e 25 de setembro.

No Porto, a edição deste ano do festival decorre entre os dias 03 e 07 de novembro, em diferentes espaços.

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