
Paris prepara um novo teste de voto eletrónico dirigido aos franceses estabelecidos fora de França, a realizar em novembro, numa etapa considerada decisiva na modernização das modalidades de participação cívica e na consolidação de soluções seguras para eleições futuras. O Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros confirmou que o dispositivo será novamente utilizado nas eleições dos Conselheiros dos Franceses do Estrangeiro e nas eleições Legislativas, depois de vários anos de desenvolvimento técnico, auditorias de segurança e avaliações independentes.
Os Franceses residentes no estrangeiro podem inscrever-se para participar neste teste de simulação em situação real.
O voto eletrónico para os franceses residentes no estrangeiro não é uma novidade absoluta: já foi utilizado em eleições anteriores, mas o Governo tem vindo a reforçar o sistema, introduzindo novas camadas de segurança, mecanismos de autenticação mais robustos e auditorias conduzidas segundo as recomendações da Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI).
Os testes de intrusão, a análise de riscos e a verificação do código-fonte permitiram validar que a solução cumpre os requisitos de fiabilidade e confidencialidade exigidos para um escrutínio oficial.
O teste agora anunciado insere‑se num processo contínuo de aperfeiçoamento. Para participar, os eleitores devem ser franceses, residir no estrangeiro, estar inscritos numa lista eleitoral consular e ter indicado um endereço de correio eletrónico e um número de telefone válidos, que permitem receber o identificador e o código de acesso ao portal de voto. A autenticação pode ser feita por identificador e palavra‑passe ou através da identidade digital certificada ‘France Identité’, associada à nova geração de Cartes d’identité.
O Ministério sublinha que o voto eletrónico garante o anonimato e o segredo do voto: o boletim é criado de forma cifrada, transmitido de forma cifrada e armazenado de forma cifrada, sem que seja possível estabelecer qualquer ligação entre o eleitor e o seu voto. Apenas a acumulação dos boletins cifrados é descodificada no momento do apuramento, perante o Bureau de Vote Electronique.
Este novo teste é particularmente relevante num contexto em que o Governo francês procura reforçar a participação dos cidadãos residentes fora do território nacional, oferecendo modalidades de voto adaptadas às suas realidades e aos desafios logísticos que enfrentam.
A administração francesa recorda, contudo, que o voto eletrónico não está disponível para todas as eleições: não pode ser utilizado para a eleição presidencial, para as europeias ou para referendos, estando limitado às eleições Legislativas e às eleições dos Conselheiros dos Franceses do Estrangeiro.
Com este exercício, Paris pretende recolher dados técnicos, medir a robustez do sistema em condições reais e identificar eventuais melhorias antes de uma utilização mais ampla.
Para muitos franceses do estrangeiro, trata‑se de uma metodologia de voto que não querem perder: votar à distância, de forma segura, simples e acessível, sem depender de deslocações longas ou de constrangimentos administrativos.
O teste agora lançado será acompanhado por equipas técnicas, peritos independentes e um terceiro verificador, garantindo transparência e controlo externo.
A primeira volta de um voto fictício vai ter lugar entre sexta-feira 20 de novembro, ao meio dia de Paris, até segunda-feira, 23 de novembro, também ao meio dia de Paris.
A votação para a segunda volta vai decorrer entre quinta-feira 26 de novembro, às 13h00 de Paris, até sexta-feira 27 de novembro, às 19h00 de Paris.
A expectativa é que este processo contribua para consolidar a confiança dos eleitores e para preparar o futuro das modalidades de voto da diáspora francesa.






