DJ e produtor franco-português, David Moka encontrou durante o confinamento uma nova forma de se aproximar do público. Com o “Mix do Chantier”, levou a música portuguesa às transmissões em direto no Facebook. Agora, quer prolongar esse encontro nos palcos, através do “Show do Chantier”, que reúne artistas de Portugal e da Comunidade portuguesa em França.
Antes do espetáculo desta noite, sábado 17 de outubro, na sala Agora, em Genlis, David Moka respondeu às perguntas do LusoJornal sobre os primeiros passos na música, a influência do pai e a vontade de levar este projeto a várias cidades francesas.
Entre as suas ambições está uma atuação no Olympia, em Paris.
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Quem é o David Moka fora dos palcos e qual é a sua ligação a Portugal?
Nasci em França, mas tenho uma ligação a Portugal desde sempre. Vou quando posso, nas férias, para festas ou para estar com a família. As famílias do meu pai e da minha mãe estão em Portugal. Temos raízes na zona de Vilar Formoso, numa aldeia que se chama Aldeia Velha. O meu pai vive atualmente em França.
Como surgiu o interesse pela música?
Era miúdo e estava numa festa de família onde havia um DJ, que era amigo da família. Passei a noite toda ao pé dele, a ver o que fazia, e gostei muito. Foi assim que nasceu esta paixão. Mais tarde, comprei equipamento e comecei a fazer batizados, casamentos e festas de aniversário. Mas, na altura, o que eu queria mesmo era tocar nas discotecas. Comecei em 1997 e continuei até à chegada da pandemia.
Que lugar teve a música portuguesa nesse percurso?
Entrou na minha vida através do meu pai, nas viagens entre França e Portugal, com as cassetes que ouvíamos no carro. Mas, quando tocava nas discotecas, passava sobretudo outros estilos de música. Durante a pandemia, quando tudo parou e comecei a fazer os diretos do “Mix do Chantier”, passei a colocar muita música portuguesa. Muitas vezes eram músicas que o meu pai ouvia e de que nós gostávamos. Desde então, a música portuguesa está presente todos os dias na minha vida. Hoje, nas festas que faço ao fim de semana, consigo passar uma noite inteira só com música portuguesa.
Como nasceu o “Mix do Chantier”?
Durante o confinamento, fazia diretos no Facebook de segunda a sexta-feira. Cada dia era dedicado a um estilo: reggaeton, house, funk… Um dia, estava em casa do meu pai, onde havia máquinas de obras, e tive a ideia de instalar ali o equipamento e fazer um direto de música portuguesa. Chamei-lhe “Mix do Chantier”. As reações foram muito positivas. Depois, quis trazer esse projeto do Facebook para junto das pessoas que o acompanham, convidando também artistas que passaram pelos diretos ou cujas músicas costumo divulgar. A ideia foi criar um espetáculo e fazer uma noite de festa portuguesa com todos eles.
O que quer levar ao palco com o “Show do Chantier”?
Quero levar as tradições portuguesas, a música, as danças, as rusgas e esse ambiente de festa. Quero também apresentar artistas de quem gosto muito, uns mais conhecidos e outros menos conhecidos. Alguns vêm de Portugal, outros vivem em França, mas são todos amigos. O que quero fazer é uma festa de amizade, uma grande festa portuguesa.
Como evoluiu a sua relação com o público desde os primeiros diretos?
Mudou muito desde a pandemia. Com o “Mix do Chantier” e os diretos no Facebook, passei a ser reconhecido em muitos sítios. Vou a uma festa portuguesa em França e há pessoas que já me conhecem, que vêm falar comigo e tirar fotografias. O que mais me marcou foram as pessoas que me disseram que estavam sozinhas durante o confinamento e que os diretos lhes tinham feito muita companhia. Algumas usaram palavras muito fortes para explicar a importância que aquilo teve nas suas vidas. Agradeço-lhes muito essas mensagens. Também mudaram a minha vida.
Sente uma diferença quando atua em Portugal?
Vou muitas vezes atuar a Portugal em agosto, quando também lá estão muitos emigrantes. Acabo por encontrar pessoas que já me conhecem de França. Por isso, o ambiente e a ligação ao público são bastante semelhantes.
Além de DJ, também faz produção musical. Como surgiu essa vertente?
Para mim, foi uma evolução. Comecei por passar música, depois fiz podcasts e, em 2009, lancei a minha primeira produção, “Oi Galera”. Quis fazer músicas minhas, que também pudessem passar na rádio. A produção de espetáculos é outra coisa, mas acaba por ser mais uma etapa desse percurso. Quero levar o pequeno “Mix do Chantier” a outra dimensão. É um trabalho diferente, de que também gosto muito.
Qual é a maior dificuldade de organizar um espetáculo como este?
Exige muito tempo, muita organização e também dinheiro. Há muito trabalho que o público não vê. As noites são curtas, dorme-se pouco e a cabeça está sempre a trabalhar. Como também tenho outro trabalho durante a semana, é preciso encontrar tempo para conseguir conciliar tudo. Não é fácil, mas tenho muita vontade de fazer deste espetáculo uma grande festa. O apoio dos artistas também conta muito. São amigos que estão presentes, que me apoiam e me dão força.
Esta, em Genlis, será a segunda edição do “Show do Chantier”. O que representa esta saída da região parisiense?
Fizemos uma primeira edição há dois anos, também em outubro, na região parisiense. Agora é a primeira vez que levamos o espetáculo para fora dessa região. O objetivo é continuar e passar por outras cidades, como Bordeaux, Clermont-Ferrand, Lille, Marseille, Toulouse e Strasbourg, além de Paris.
Essas etapas já estão confirmadas ou ainda estão em preparação?
Há algumas cidades que já estão contratadas e outras que ainda estamos a preparar. Algumas datas só deverão acontecer daqui a um ano, por isso ainda temos um pouco de tempo para organizar tudo.
Tem algum palco onde gostasse particularmente de apresentar o projeto?
Gostava de terminar esta digressão numa grande sala de Paris, conhecida por toda a gente. É um projeto em que estamos a trabalhar.
Quando olha para o seu percurso, o que lhe dá mais orgulho?
Nunca pensei chegar até aqui. Mas o meu maior orgulho, com o “Mix do Chantier” e com a música portuguesa, está ligado ao meu pai. Foi ele que me transmitiu esta cultura musical. Hoje, quando vou atuar em festas portuguesas e encontro artistas que ele me deu a conhecer, tiro uma fotografia e envio-lha. Poder estar com artistas que o meu pai ouvia e que fizeram parte da minha infância, é um grande orgulho para mim.







