Isabel Vincent faz balanço da participação no Curso mundial de formação de dirigentes associativos

Co-Presidente da associação O Sol de Portugal, em Bordeaux, Isabel Pereira Vincent participou no Curso Mundial de Formação de Dirigentes Associativos, organizado nos Açores. Durante vários dias, responsáveis associativos vindos de diferentes países participaram em momentos de formação, encontros e visitas. De regresso a França, Isabel Vincent conta ao LusoJornal o que retirou desta experiência, as ideias que pretende agora aplicar na sua associação e a importância de preparar uma nova geração para dar continuidade ao movimento associativo português.

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Como surgiu a oportunidade de participar neste Curso Mundial de Formação de Dirigentes Associativos e quais eram as suas expectativas antes de partir para os Açores?

Recebi um convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros para participar nesta formação. O que me interessou logo foi o facto de estarem presentes pessoas de diferentes países. Achei interessante poder encontrar outros dirigentes associativos, conhecer outras realidades e trocar experiências.

Concretamente, em que consistiu esta formação e como decorreram estes dias nos Açores?

Foi um programa que juntou formação e informação. Tivemos, por exemplo, vários momentos dedicados à diáspora açoriana. Professores da Universidade dos Açores vieram falar-nos sobre a história da emigração açoriana e visitámos também o Museu da Emigração, na Ribeira Grande. Fomos recebidos em vários locais, nomeadamente na Ribeira Grande e na Lagoa. Tivemos também um encontro com o Secretário de Estado das Comunidades, uma sessão sobre Inteligência Artificial com um Professor da Universidade dos Açores e um trabalho com um Professor de Relações Públicas e Comunicação Social, onde abordámos, por exemplo, a questão de como acolher novos voluntários nas associações.

Entre os diferentes temas abordados, quais foram os mais interessantes ou úteis para si enquanto dirigente associativa?

Foi muito interessante encontrar dirigentes associativos de outros países. Permitiu-nos conversar, descobrir outras realidades, criar contactos e também começar a lançar bases para futuros projetos de cooperação internacional. Gostei também muito de tudo o que esteve relacionado com a descoberta da emigração açoriana. A nossa associação está atualmente a trabalhar sobre a memória da imigração e achei muito interessante descobrir outra emigração portuguesa, um pouco diferente da nossa, porque as problemáticas não são completamente as mesmas. Outro ponto importante foi o trabalho sobre o acolhimento de novos voluntários e sobre a forma de atrair mais jovens para as associações. É uma preocupação que já tínhamos na nossa associação. O movimento associativo está a envelhecer e temos de pensar em novas formas de trazer as novas gerações. As novas gerações investem-se no meio associativo, mas de maneira diferente. Temos de ter isso em conta e perceber como podemos atraí-las para continuar a desenvolver os projetos associativos. É preciso que a nova geração possa, no futuro, estar à frente das associações e continuar o trabalho que já foi feito.

Houve conhecimentos ou ferramentas que pretende agora aplicar concretamente na associação O Sol de Portugal?

Sim, sobretudo pontos de reflexão. A formação foi curta, mas deu-nos ideias, motivação e energia para continuar a desenvolver os nossos projetos. Desde que regressei, já comecei a trabalhar sobre algumas dessas questões. Vou propor algumas coisas à Direção da associação, sobretudo para conseguirmos atrair mais jovens. Podemos, por exemplo, criar novos contactos com a juventude ou com a universidade.

Foram também abordados temas como os apoios financeiros, a comunicação e as novas tecnologias. São questões que correspondem realmente às necessidades atuais das associações portuguesas?

Sim. Em relação aos financiamentos, tivemos informações muito concretas sobre os apoios que o Ministério pode dar às associações. Nós já somos apoiados, mas houve algumas coisas que ficaram mais claras. Havia também associações presentes que nunca tinham recebido esses apoios e puderam descobri-los. Em relação às novas tecnologias, tivemos um Professor especialista em Inteligência Artificial que veio falar-nos sobre o assunto. Atualmente, as associações têm de viver com as novas tecnologias. Não podemos continuar a trabalhar deixando tudo isso de lado. A comunicação e as relações públicas também são fundamentais. Atualmente vivemos num mundo de comunicação e, por isso, temos de comunicar para existir.

Para além da formação, os contactos com dirigentes associativos de outros países também poderão ser úteis no futuro?

Sim. Continuamos em contacto e temos um grupo WhatsApp. Desde o final da formação já tivemos vários contactos. Todos regressámos aos nossos países com vontade de avançar e continuar a desenvolver os nossos projetos. Chegámos mesmo a pensar num possível projeto internacional. No Sol de Portugal começámos um trabalho de recolha de testemunhos de memória oral e lançámos a ideia de outros países representados fazerem também esse trabalho. Depois, poderíamos tentar fazer um livro em conjunto. Todos concordaram com a ideia e já tenho um contacto nos Países Baixos. Um responsável associativo que participou na formação já entrou em contacto comigo para começarmos a trabalhar sobre esse projeto. Agora temos contactos em diferentes países e podemos partilhar ideias e projetos. Acho que isso é enriquecedor para cada um de nós.

Depois desta experiência, considera que este tipo de formação é realmente útil para o movimento associativo português?

Sim. É o meu ponto de vista, mas foi também o sentimento dos outros dirigentes presentes. Todos regressámos aos nossos países com vontade de avançar e de continuar. Este tipo de formação é enriquecedor porque nos traz novas ideias, mas sobretudo porque nos dá motivação e vontade de continuar a desenvolver os nossos projetos.

Se tivesse de resumir o que trouxe dos Açores para Bordeaux e para a O Sol de Portugal, o que destacaria?

Para mim, foi uma motivação renovada para continuar a trabalhar com a nossa comunidade. Este encontro é também o início de novas parcerias, novos projetos e novos encontros. Gostei também muito das palavras do Secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, sobre o nosso papel. Valorizou o nosso trabalho como embaixadores da cultura portuguesa e falou da importância da língua portuguesa. A língua não é apenas uma língua, é também cultura. Isso deu-nos ainda mais vontade de continuar a trabalhar na divulgação da cultura e da língua portuguesas. A nossa língua é a nossa identidade, a nossa cultura, a nossa história, a nossa família. É o que liga os nossos filhos e os nossos netos às raízes de Portugal. As gerações vão envelhecendo e, se a língua e a cultura portuguesas não forem transmitidas, podem desaparecer. Por isso, é importante que as associações tenham também esse papel de transmissão.

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