No quadro de Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026, a artista lusodescendente Nathalie Afonso, residente na região parisiense, está esta semana nos Açores para uma residência artística dedicada à ilustração dos trajes e tradições de São Miguel. Através da técnica da aguarela, a artista vai cruzar o seu olhar contemporâneo com algumas das mais emblemáticas expressões culturais açorianas, envolvendo comunidades locais, escolas e instituições culturais num projeto que une património, educação e criação artística.
A iniciativa decorre entre os dias 19 e 24 de outubro no Museu Carlos Machado – Núcleo de Santo André e em vários outros espaços da ilha de São Miguel. O trabalho desenvolvido por Nathalie Afonso procura documentar e interpretar visualmente elementos identitários da cultura açoriana, desde os trajes tradicionais às práticas religiosas, agrícolas e artesanais que continuam a marcar o quotidiano local.
Ao longo da residência, a artista irá contactar diretamente com diferentes protagonistas destas tradições, transformando os encontros em ilustrações realizadas em aguarela. Entre os temas previstos encontram-se as Despensas do Espírito Santo, a figura da Viúva, o ato da Coroação, os Romeiros, os Foliões do Espírito Santo, as Bordadeiras da Maia, as Cavalhadas e o tradicional «Namoro à Janela».
O programa dá igualmente destaque a atividades que fazem parte da memória coletiva açoriana. A cultura do ananás e a apanha do chá, duas imagens incontornáveis da ilha de São Miguel, serão também observadas e registadas pela artista durante esta residência.
Uma dimensão importante do projeto passa pela aproximação às novas gerações. Estão previstas várias oficinas e sessões com crianças e estudantes, nomeadamente no Museu Carlos Machado, na Escola Secundária Antero de Quental e na Escola Roberto Ivens. Os alunos terão oportunidade de acompanhar o processo criativo da artista e de contactar diretamente com algumas das tradições que ajudaram a construir a identidade açoriana.
Entre os momentos mais relevantes do programa encontram-se a representação da figura da Viúva com Luísa Alves, a ilustração do capote e capelo na Igreja Matriz de Ponta Delgada, a sessão dedicada aos Romeiros no Convento da Esperança e os encontros com os Foliões do Espírito Santo e as Bordadeiras da Maia.
No encerramento da residência, Nathalie Afonso desloca-se à Estufa de Ananases das Laranjeiras para uma sessão dedicada aos agricultores e à cultura do ananás, terminando o seu percurso no Chá do Porto Formoso, onde acompanhará uma sessão dedicada à apanha do chá.
Através da aguarela, a artista dá assim continuidade a uma missão simultaneamente artística e patrimonial: preservar memórias e retratar identidades.







