Universidades Paris Nanterre e Lusófona juntam-se para debater as línguas e as relações de poder na Europa


Que lugar ocupam as línguas na produção do conhecimento e nas relações entre culturas? É a partir desta questão que a Universidade Paris Nanterre e a Universidade Lusófona voltam a colaborar num colóquio marcado para esta sexta-feira, dia 6 de novembro, entre as 09h00 e as 18h00 (hora de Lisboa), no Centro Universitário Lisboa – Sala de Cinema Fernando Lopes. A iniciativa propõe uma reflexão sobre a diversidade linguística, a cultura e as relações de poder na Europa contemporânea, com particular atenção para o ensino do português em França.

O encontro dá continuidade a uma primeira colaboração desenvolvida em torno do projeto “Europa transcultural num mundo global”. Desta vez, o objetivo é discutir a forma como as línguas influenciam a circulação das ideias, mas também as desigualdades que existem entre elas. Com efeito, a escolha de uma língua para publicar uma investigação ou comunicar resultados científicos pode determinar a visibilidade de um trabalho, deixando outros idiomas e formas de conhecimento à margem.

Na apresentação do colóquio, a organização defende a importância de olhar para a diversidade linguística tendo também em conta o passado imperial e colonial europeu. Pretende, assim, questionar as hierarquias que continuam a marcar as relações entre línguas e culturas, tanto na Europa como fora dela.

A sessão de abertura, às 09h30, contará com José Bragança de Miranda, Reitor da Universidade Lusófona, João de Sousa Cardoso, da mesma instituição, e Graça dos Santos, Pró-Reitora para a Cultura e Professora Catedrática da Universidade Paris Nanterre, onde dirige o laboratório Centre de Recherches Interdisciplinaires sur le Monde Lusophone (CRILUS).

O ensino do português em França entre os temas em debate

A primeira conferência está marcada para as 10h00. Ana Paula Laborinho, da Universidade de Lisboa, abordará o tema “Línguas na era digital: outros imaginários”, seguindo-se um debate moderado por Cristina Robalo Cordeiro.

Às 11h15, uma mesa-redonda dará particular destaque à presença do português no meio universitário francês. José Manuel Esteves, da Universidade Paris Nanterre, apresentará uma comunicação sobre a criação, a implementação e os desafios futuros deste ensino. Na mesma sessão, Graça dos Santos abordará a glotofobia, ou seja, a discriminação associada à língua ou à forma de falar.

Participarão também Inocência Mata, da Universidade de Lisboa, com uma intervenção sobre herança, apropriação e pertença nas literaturas africanas, e Manuel Bogalheiro, que falará sobre a escrita e as suas relações com a comunicação e a cultura. A moderação ficará a cargo de Ana Paula Laborinho.

Durante a tarde, Cristina Robalo Cordeiro, da Universidade de Coimbra, apresentará, às 14h30, a conferência “Falo todas as línguas em inglês”, com moderação de João de Sousa Cardoso.

Seguir-se-á, às 15h30, uma mesa-redonda que cruzará linguagem, literatura e política. Ana Cristina Braz e André Pereira Matos, da Universidade Aberta, analisarão estratégias de desinformação e de manipulação interpretativa no discurso do Chega. Felipe Cammaert, da Universidade de Aveiro, abordará o hibridismo vernáculo na literatura portuguesa, enquanto o escritor e tradutor Paulo Faria apresentará a intervenção “Léxico familiar e novilíngua: o novo totalitarismo já nos matou a todos?”. Graça dos Santos assegurará a moderação.

A última conferência, intitulada “Língua, Cérebro e Corpo”, será apresentada pela artista visual Carla Filipe, entre as 16h45 e as 17h30. O encerramento ficará a cargo de Graça dos Santos, João de Sousa Cardoso e José Manuel Esteves.

Ao longo do dia, a proposta será também refletir sobre a responsabilidade da universidade perante a manipulação da linguagem. Para a organização, compreender as palavras, os seus usos e os espaços que cada língua ocupa é uma forma de abrir o debate a outras vozes e maneiras de pensar o mundo.

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