No Domingo de Ramos, entramos com Jesus em Jerusalém entre cânticos e aclamações. Mas a liturgia conduz-nos imediatamente ao relato da Paixão. É como se a Igreja nos dissesse: não te detenhas no entusiasmo do momento; entra plenamente no mistério da Cruz.

O Evangelho mostra-nos um Jesus que não foge, não se esquiva, não se defende pela força. É traído, abandonado, negado, humilhado, condenado. E quando tudo parece desmoronar-se, é-nos revelado que Ele é «verdadeiramente Filho de Deus» (Mt 27,54).

Jesus não salva o mundo descendo da cruz, mas permanecendo na cruz; não se impondo, mas entregando-se; não respondendo à violência, mas enfrentando-a com um amor maior. A Paixão revela-nos a medida do amor de Deus e a verdade da nossa pobreza. Na multidão que primeiro aplaude e depois grita «Crucifica-o!», reconhecemos o nosso coração: capaz de um entusiasmo sincero, mas também frágil, inconstante, medroso.

Entrando na Semana Santa, não trazemos apenas ramos nas mãos: trazemos uma decisão no coração. Temos de escolher entre permanecer na superficialidade de uma fé só de palavras ou seguir verdadeiramente o Senhor no caminho do amor e do perdão. Porque só quem caminha com Ele na Paixão poderá acolher, com um coração sincero, a luz da Páscoa.

Padre Carlos Caetano

Padre Carlos Caetano

padrecarloscaetano.blogspot.com

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