O Presidente do grupo francês BPCE, que ontem comprou definitivamente o Novo Banco por 6.700 milhões de euros, disse em comunicado que o grupo tem um compromisso de longo prazo com Portugal. “Estamos satisfeitos e orgulhosos por dar as boas-vindas ao Novo Banco no BPCE e por reforçar o nosso compromisso de longo prazo com Portugal”, disse o francês Nicolas Namias citado no comunicado.
A venda do Novo Banco foi ontem concluída ao grupo bancário francês BPCE por 6.700 milhões de euros, acima do valor anunciado em junho do ano passado. Na altura, o presidente do BPCE, Nicolas Nimas, teve um encontro com os trabalhadores do banco em que disse que o investimento do grupo em Portugal seria de longo prazo, ao contrário do investimento da Lone Star, segundo informações recolhidas pela Lusa.
No comunicado ontem divulgado, o BPCE refere que com a aquisição do quarto maior banco em Portugal o país torna-se “o segundo mercado doméstico do grupo para as suas atividades de banca de retalho”.
O BPCE diz ser o segundo maior grupo bancário em França e quarto maior na zona euro.
O grupo refere ainda que esta foi a “maior aquisição bancária transfronteiriça na área do euro em mais de dez anos” e que está no Novo Banco para “apoiar o desenvolvimento do banco numa perspetiva de longo prazo e reforçar a sua capacidade de financiar a economia portuguesa, ao serviço das famílias, empresas e clientes institucionais em Portugal”.
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O Novo Banco foi criado no domingo 03 de agosto de 2014, detido pelo Fundo de Resolução (entidade estatal), para ficar com parte da atividade bancária do histórico Banco Espírito Santo (BES), alvo de uma medida de resolução.
Logo na sua criação, as autoridades anunciam que o objetivo é privatizar o banco o quanto antes. Mas tal só acontece em 2017.
Então, a maioria do Novo Banco (75%) foi vendida ao fundo norte-americano Lone Star, que não pagou qualquer preço tendo, em contrapartida, acordado com o Estado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco para o capitalizar.
Era conhecido que o objetivo do Lone Star seria pôr o banco a dar lucro rapidamente para o vender a médio prazo com mais-valia, o que ontem aconteceu.
Com a venda ontem do banco, a Lone Star encaixou cerca de 5.000 milhões de euros além dos dividendos já recebidos.
Já o Estado português (que até ontem tinha 25%) encaixou agora 1.673 milhões de euros, o que somados aos dividendos já recebidos permitem ao Estado recuperar cerca de 2.000 milhões de euros injetados na instituição.
Segundo cálculos feitos pela Lusa, a resolução do BES já custou cerca de 8.000 milhões de euros aos cofres públicos (resultado, sobretudo, da capitalização inicial do Novo Banco e das recapitalizações feitas pelo Fundo de Resolução).







