Saúde: Tratamento inovador da tiroide: menos invasivo, mais preciso


Termoablação permite tratar nódulos sem retirar a glândula

Maio assinala o Mês da Tiroide, uma oportunidade essencial para reforçar a importância do diagnóstico precoce das doenças tiroideias. Os nódulos da tiroide são extremamente frequentes na população, sobretudo nas mulheres, e embora a maioria seja benigna, podem causar sintomas compressivos, alterações estéticas ou disfunção hormonal.

O rastreio clínico – através da avaliação de sintomas e palpação cervical – aliado à ecografia da tiroide, desempenha um papel central na identificação precoce destes nódulos e na orientação adequada do tratamento.

Neste contexto, a termoablação da tiroide representa uma verdadeira mudança de paradigma.

Trata-se de uma técnica minimamente invasiva que permite destruir o nódulo preservando praticamente intacta a glândula, afastando a lógica tradicional de “retirar para resolver”.

Realizada com uma agulha fina guiada por ecografia, dispensa incisões e disseção cervical, traduzindo-se numa agressividade muito inferior à cirurgia convencional. O impacto estético é nulo, não há cicatriz visível e o procedimento decorre habitualmente em regime ambulatório, com alta no próprio dia.

Uma das principais vantagens, frequentemente subvalorizada, é a preservação da função tiroideia. Ao tratar apenas o nódulo e poupar o restante tecido, o risco de hipotiroidismo é significativamente mais baixo quando comparado com a cirurgia, evitando em muitos casos a necessidade de terapêutica substitutiva com levotiroxina. Este benefício é particularmente relevante em doentes jovens e em mulheres, onde a estabilidade hormonal tem impacto direto na qualidade de vida.

Do ponto de vista da eficácia, a termoablação não deve ser vista como uma solução paliativa. A evidência demonstra reduções volumétricas progressivas e consistentes do nódulo, frequentemente muito expressivas ao longo do primeiro ano. Esta redução traduz-se numa melhoria clara dos sintomas compressivos, da sensação de desconforto cervical e das queixas estéticas. Nos nódulos autónomos, pode ainda permitir o controlo da função tiroideia sem necessidade de cirurgia ou de tratamento com iodo radioativo.

O perfil de segurança é outro dos pontos fortes desta abordagem. A ausência de anestesia geral elimina riscos relevantes, sobretudo em doentes com comorbilidades. As complicações são raras e, quando ocorrem, tendem a ser transitórias. A lesão do nervo recorrente é pouco frequente quando o procedimento é realizado por operadores experientes, e o risco de infeção ou hemorragia significativa é muito baixo.

A recuperação é rápida, com retorno às atividades habituais em um a dois dias e sem necessidade de internamento. Esta diferença é particularmente valorizada por doentes ativos, que procuram soluções eficazes com menor impacto na sua rotina.

Por fim, a precisão da técnica, garantida pela orientação ecográfica em tempo real, permite tratar o nódulo de forma altamente seletiva, preservando estruturas críticas como o nervo recorrente, a traqueia e o esófago. Esta capacidade de controlo contínuo aproxima a termoablação de uma verdadeira “cirurgia sem bisturi”, combinando eficácia, segurança e preservação funcional.

Num mês dedicado à consciencialização para as doenças da tiroide, importa reforçar: a identificação precoce de nódulos através de avaliação clínica e ecográfica permite não só diagnosticar, mas também abrir a porta a opções terapêuticas menos invasivas e mais ajustadas ao perfil de cada doente.

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Dra. Teresa Dionísio

Radiologista de Intervenção

Hospital da Luz de Guimarães

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