No dia 5 de maio, data em que se celebrou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, a artista franco-brasileira Luiza encantou o público na sala parisiense La Cigale, num concerto marcado pela energia, proximidade e uma forte ligação entre palco e plateia. Desde os primeiros momentos, o público mostrou-se completamente conquistado: cantou, dançou e participou ativamente ao longo de toda a atuação, chegando mesmo a ser convidado a subir ao palco no final do espetáculo.
A primeira parte da noite ficou a cargo da artista brasileira Miira, que conquistou o público com uma presença delicada e intensa. Dona de uma voz simultaneamente potente e suave, Miira criou uma atmosfera envolvente ao interpretar canções em português, revelando uma forte sensibilidade artística e uma ligação emocional imediata com a plateia.
Ao longo da noite, Luiza apresentou alguns dos seus temas mais marcantes, incluindo “Soleil Bleu”, um dos seus maiores sucessos, bem como “Ciclo”, “S’aime encore”, “La vida Loca”, “Chica” e “Oxalá”, canções que refletem a sua ligação à natureza e às emoções.
O concerto foi também marcado por momentos de surpresa, com a aparição em palco de artistas convidados. Entre eles, Carbone com “Étincelles”, numa fusão musical intensa assim como o grupo Ladaniva que se juntou a Luiza num momento de grande cumplicidade artística.
Mais do que um concerto, o espetáculo transformou-se numa verdadeira viagem musical. Luiza levou o público até a Reunião e Paris, passando pelo Rio de Janeiro e pela Arménia, refletindo a riqueza do seu universo artístico. Admiradora da música dos Balcãs, protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite ao tocar um “caval” romeno, revelando a diversidade, o talento e a originalidade do seu repertório.
O concerto destacou-se ainda pela sua dimensão visual. Elementos cénicos, como nuvens suspensas sobre o palco, criaram uma atmosfera onírica e singular, refletindo o universo artístico de Luiza: delicado, poético e envolvente.

A acompanhar a artista esteve um conjunto de músicos de grande qualidade: Lucas Dauchez na bateria, Romain Desremeaux no saxofone, Make Knort no trompete e Caetano Malta na guitarra, baixo e cavaquinho. A cumplicidade em palco foi evidente, contribuindo para a riqueza sonora e dinâmica do espetáculo.
Para além da música, o concerto ficou marcado por momentos de grande humanidade. Luiza revelou-se uma artista humilde e generosa, mantendo uma relação próxima com o público ao longo de toda a atuação. Num dos momentos mais significativos da noite, dedicou a canção “La Capitaine” às mulheres que trabalham com ela, sublinhando a importância da colaboração e da força feminina no seu percurso artístico. Prestou ainda uma homenagem comovente à sua avó, presente na sala.

Mais do que um simples concerto, esta atuação foi uma verdadeira experiência sensorial e emocional, onde música, estética e identidade se cruzaram. Num dia simbólico para a língua portuguesa, a presença desta língua em palco reforçou a sua dimensão universal e emocional. No final, ficou a certeza de que Luiza não só conquistou La Cigale, como deixou no público uma vontade enorme de a voltar a ver em palco para sentir novamente a energia fulgurante e contagiante que transmite.







