“La violence ne fera pas taire le peuple”: 3 filmes de Pedro Fidalgo sobre os ‘Gilets Jaunes’ projetados em Bondy


A cidade de Bondy (93) acolhe esta sexta‑feira, dia 15 de maio, uma noite dedicada ao cinema militante e às formas contemporâneas de contestação social, com a projeção de três curtas‑metragens do realizador português Pedro Fidalgo sobre o movimento dos “Gilets Jaunes”. A sessão integra a programação do “Cercle Instable – Cri d’Encre”, iniciativa da Officine du Désordre, “que transforma o espaço num laboratório artístico onde poesia, som e imagem se cruzam num fluxo indisciplinado e coletivo”.

“O Cercle Instable é um atelier experimental e intimista que abre portas regularmente no 12 rue Yvonne em Bondy onde se mistura poesia, música, cinema e festa (transdisciplinar). Autores e não autores (até crianças) participam nos ateliers de criação coletiva propostos” explica ao LusoJornal o realizador Pedro Fidalgo. “O programa faz-se com os participantes e por vezes improvisa-se”.

A partir das 19h00, haverá leituras de poemas, leitura de versos sobre All Tomorrow’s Parties por Luís Felício, ateliers de escrita, intervenções surpresa, improvisações musicais… e um ‘closing set’ por Worst Bunny : electro / rap / punk…

É neste contexto de experimentação que serão apresentados os três filmes de Pedro Fidalgo, obras que exploram, sob diferentes ângulos, a violência policial, a resistência popular e o quotidiano dos manifestantes.

O primeiro filme, “La violence ne fera pas taire le peuple”, parte de um fotograma impresso no verso de um colete amarelo: a célebre imagem da mulher ferida na escadaria de Odessa, do filme “O Couraçado Potemkine”, de Eisenstein. Pedro Fidalgo transpõe essa referência para as ruas de Paris, onde o Parvis des Droits de l’Homme, interdito aos manifestantes, se torna o palco simbólico de uma repressão que marcou profundamente o movimento.

Segue‑se “CinémaŒil (KinoEye)”, que estabelece um diálogo direto com as teorias de Dziga Vertov sobre o olhar da câmara e o movimento entre imagens. A ‘curta’ presta homenagem às vítimas dos disparos de LBD 40 e das granadas GLI‑F4 – homens e mulheres que perderam a visão, a audição ou ficaram mutilados durante as manifestações. O filme transforma o olhar ferido num olhar cinematográfico que denuncia e resiste.

O terceiro título, “L’autre partie du monde”, desloca o foco para o quotidiano dos mesmos contestatários, numa espécie de “sinfonia urbana” que evoca os cine‑tracts de Maio de 68. Aqui, o texto ganha impulso entre planos rápidos, acompanhando aqueles que Fidalgo descreve como “novos proletários”: trabalhadores para quem o colete amarelo é, antes de mais, uma ferramenta de trabalho obrigatória, e que lutam pelo seu futuro e pelo dos seus filhos.

Com estes três filmes, Pedro Fidalgo – cuja obra tem sido marcada por uma atenção constante às lutas sociais, da vida e obra de José Mário Branco aos retratos da repressão dos “Gilets Jaunes” – oferece um olhar sensível, político e profundamente humano sobre um movimento que transformou o debate público em França.

A sessão de Bondy promete, assim, uma noite de criação partilhada, onde cinema, poesia e performance se entrelaçam para pensar a revolta, a violência e a esperança.

.

Sextafeira, 15 de maio, 19h00

Cercle Instable – Cri d’Encre

12 rue Yvonne

Bondy

Entrada livre

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca