O Palais de la Porte Dorée, em Paris, acolhe no próximo dia 20 de maio, às 19h00, uma nova edição do encontro literário “Les coups de cœur du printemps”, uma iniciativa que reúne quatro autores cujos livros recentes despertaram entusiasmo e debate entre as equipas do Museu da História da Imigração e um deles é “La Classe et la Fonction” de Maria Alves. A sessão terá lugar no auditório Marie Curie e a entrada é gratuita, mediante reserva.
A escritora luso‑francesa Mariana Alves, autora de “La classe et la fonction” editado pela Chandeigne & Lima é uma das quatro convidadas. O livro mergulha na infância vivida na loge de concierge dos pais, imigrantes portugueses em Paris. A autora, que escreve sob pseudónimo, aborda a falta de intimidade, o peso do silêncio e o “tabu” da loge, num texto que tem gerado forte identificação entre leitores de origem imigrante.
O encontro contará também com Louis Raymond, jornalista e especialista do Sudeste Asiático, que apresenta “Loin du Mékong” (Calmann‑Lévy), o seu primeiro romance. A obra cruza investigação autobiográfica e saga familiar, explorando memórias fragmentadas da antiga Indochina e os limites entre verdade e ficção quando a história pessoal se perde nos arquivos.
A jovem autora Elsa Régis, nascida em 1998 perto de Grenoble, participa com “Un abri pour Lampedusa” (Éditions du Panseur), o seu romance de estreia. A obra acompanha diferentes perspetivas perante a chegada de migrantes à ilha italiana, recusando simplificações e colocando no centro a complexidade das escolhas humanas. Elsa Régis, que foi a mais jovem candidata às legislativas francesas em 2017, trabalha hoje como Conselheira de inserção socioprofissional junto de pessoas em situação de grande precariedade.
A quarta convidada é Kinga Wyrzykowska, nascida em Varsóvia e chegada a França durante o estado de sítio na Polónia. Em “Princesse” (Seuil), a autora constrói um texto simultaneamente fantasioso e perturbador sobre o regresso ao país natal e o peso do conservadorismo, explorando as tensões entre identidade, memória e pertença.
A organização sublinha que cada um destes livros, à sua maneira, coloca em cena as questões da lealdade e da possível “traição” em literatura: a exposição da intimidade familiar, o confronto com a história coletiva, a ficcionalização do que não se pode provar, ou a recusa em tomar partido perante dilemas contemporâneos. A diversidade das obras promete uma conversa rica sobre escrita, ética e herança cultural.
No final da sessão, haverá venda de livros e sessão de autógrafos organizada pela livraria Le Phare.
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Quarta-feira, dia 20 de maio, 19h00
Palais de la Porte Dorée
293 avenue Daumesnil
75012 Paris







