A Casa de Portugal André de Gouveia, na Cité Internationale Universitaire de Paris, recebeu este sábado, 23 de maio, uma tarde inteiramente dedicada à arte portuguesa, marcada pela inauguração de uma exposição de pintura de Rodrigo Dias e pelo lançamento dos livros de Susana Pires e do próprio artista. O evento integrou‑se nas comemorações do centenário do nascimento de Artur Bual, figura maior da arte portuguesa do século XX, e trouxe a Paris criadores vindos expressamente de Portugal para celebrar esta efeméride.
A iniciativa foi organizada pelo Círculo Artístico e Cultural Artur Bual, associação que tem vindo a preservar e divulgar o legado do artista nascido em Lisboa em 1926 e falecido na Amadora em 1999.
Bual, cuja obra marcou profundamente a segunda metade do século XX em Portugal, é reconhecido sobretudo pela sua pintura gestualista, embora tenha igualmente trabalhado escultura e cerâmica. A sua presença está inscrita em coleções de referência – do Palácio da Justiça de Lisboa ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian – e em frescos realizados em doze capelas do Alentejo e do Ribatejo, testemunho da amplitude e diversidade do seu percurso.
Foi neste contexto de memória e celebração que a Casa de Portugal abriu as portas a uma nova geração de criadores.
As pinturas de Rodrigo Dias, apresentadas em Paris, dialogam com a herança gestualista e com a energia expressiva que marcou a obra de Bual, propondo uma leitura contemporânea da intensidade do gesto e da matéria pictórica. A exposição, instalada na sala principal da Maison du Portugal, atraiu visitantes portugueses e franceses, estudantes da Cité Universitaire e membros da comunidade lusófona da região parisiense.
Paralelamente, Susana Pires e Rodrigo Dias apresentaram os seus mais recentes livros, num momento que combinou literatura, artes visuais e reflexão sobre a criação artística. A sessão permitiu aos autores partilhar processos, influências e motivações, reforçando a dimensão multidisciplinar que caracterizou também a obra de Artur Bual.
O ambiente foi de encontro, partilha e celebração cultural, num espaço que há décadas acolhe iniciativas ligadas à lusofonia. Para o Círculo Artístico e Cultural Artur Bual, trazer esta programação a Paris no ano do centenário do artista representa não apenas uma homenagem, mas também uma forma de projetar a vitalidade da arte portuguesa contemporânea além‑fronteiras.







