Durante a I Guerra mundial, João Martins Escolástico foi sepultado em Lens


A vitória do clube francês RC Lens na Taça de França trouxe o nome de Lens para a memória coletiva, evocando não apenas a paixão do futebol, mas também a profunda ligação desta região do norte de França com a história da I Guerra Mundial. Foi precisamente nesta terra marcada pelos combates e pelo sacrifício de milhares de soldados que, num primeiro momento, repousou o soldado português João Martins Escolástico, antes da sua transferência para um Cemitério militar português de Richebourg.

João Martins Escolástico nasceu a 29 de julho de 1893, na localidade de Souto, concelho do Sabugal. Era filho de João Martins Escolástico e de Cândida Nunes.

Embarcou em Lisboa no dia 21 de maio de 1917, como soldado nº18.616 da 3ª Brigada de Infantaria, pertencente ao Regimento de Infantaria nº12, participou na Batalha de La Lys, o episódio mais dramático da participação portuguesa na I Guerra Mundial.

A morte de João Martins Escolástico

João Martins Escolástico faleceu a 8 de outubro de 1918, vítima do rebentamento de uma granada, tendo sido mortalmente atingido por estilhaços desta.

Após a sua morte, o corpo foi sepultado no Philosophe British Cemetery, na cova 8, talhão 3, fila G. Mas foi inumado 3 vezes e exumado 2 vezes.

Durante uma visita da Comissão Portuguesa das Sepulturas de Guerra, a campa de João Martins Escolástico foi identificada.

O corpo foi exumado a 2 de fevereiro de 1920 e trasladado para o Cemitério de Vieille-Chapelle, onde ficou sepultado no talhão 11, fila B, cova 2.

João Martins Escolástico juntamente com os outros 531 soldados ou oficiais portugueses ali sepultados foi novamente exumado, a 25 de junho de 1924 pela Comissão Portuguesa de Sepulturas de Guerra, processo 1771, transferido para o Cemitério Militar Português de Richebourg onde foi novamente inumado, repousando no talhão D, fila 6, cova 10.

O Philosophe British Cemetery

Interessante é de fazer o historial do cemitério no qual o soldado do Corpo Expedicionário Português (CEP) foi num primeiro tempo sepultado.

O Philosophe British Cemetery foi criado em agosto de 1915, pouco antes da Batalha de Loos. Em 1916 passou a ser utilizado pela 16ª Divisão Irlandesa, que ocupava então o saliente de Loos, recebendo posteriormente soldados de várias divisões britânicas até outubro de 1918, João Martins Escolástico foi por conseguinte um dos últimos a ali ser sepultado durante o período de guerra. Muitos homens da mesma divisão ou do mesmo batalhão foram ali sepultados lado a lado.

Depois do Armistício, o cemitério tornou-se também um local de concentração de sepulturas isoladas provenientes do campo de batalha de Loos.

Atualmente, o cemitério conta com 1.996 sepulturas de militares da Commonwealth, das quais 277 pertencem a soldados não identificados

Embora o cemitério se situe no território de Mazingarbe, o nome “Philosophe” provém de um bairro vizinho de Vermelles.

No final do século XVIII, existia naquela zona uma estalagem pertencente a Joseph Carpentier, conhecido pelos seus conselhos sábios e ponderados. A população começou a chamá-lo de “Le Philosophe” (“O Filósofo”), alcunha que acabaria por dar nome ao bairro, à antiga Cité mineira e, mais tarde, ao próprio cemitério militar.

Por volta de 1860, a Companhia das Minas de Béthune abriu a fossa mineira nº3 na fronteira entre Mazingarbe e Vermelles, construindo simultaneamente uma Cité operária que ficou conhecida como “Cité du Philosophe”.

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