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Desporto

 

Tiago Rocha, internacional português, chegou durante o verão ao Grand Nancy Métropole Handball, clube que acabava de subir à primeira divisão de andebol masculino, a LiquiMoly StarLigue.

Após 9 jornadas, o Nancy ocupa o 15° e penúltimo lugar com 4 pontos, tendo vencido 2 jogos e sofrido 7 derrotas.

Na última jornada, a 9ª, que decorreu no passado fim de semana, o Nancy deslocou-se ao terreno do Dunkerque e perdeu por 24-23.

Quanto a Tiago Rocha, após 7 jogos disputados, contabiliza 26 golos. O maior número de golos apontados pelo internacional português num único jogo foi 5 tentos em 3 jogos diferentes: frente ao Montpellier (derrota por 30-33), frente ao Cesson-Rennes (triunfo por 27-25) e frente ao Créteil (derrota por 39-32).

Em entrevista ao LusoJornal, Tiago Rocha abordou os objetivos do Nancy e a sua chegada ao clube francês, um desafio importante para o atleta português.

 

Como tem sido até agora a temporada no Nancy?

Temos muitos jogadores novos. É o primeiro ano do Nancy na primeira divisão. É tudo novo, até para mim. Com 35 anos, a liga francesa é nova para mim. É uma realidade diferente. O Campeonato é longo. Esperamos melhorar e brindar os nossos adeptos com mais pontos. Há sempre margem para melhorias, até para mim, e vamos melhorar também a conexão entre os jogadores. Estamos no bom caminho.

 

O que podemos dizer do Campeonato francês?

É um Campeonato bastante equilibrado. Qualquer equipa pode vencer qualquer outra. É isso que torna o Campeonato francês tão competitivo e com tanta qualidade.

 

O nível é diferente do Campeonato português?

O nível é muito mais elevado. Todas as equipas são bastante competitivas. Existe muita qualidade. Em Portugal, os três grandes – FC Porto, Sporting CP e SL Benfica – lutam entre elas para o título, em França todos lutam contra todos. O Nantes, por exemplo, que é uma das equipas de topo, já perdeu jogos nesta época, algo que talvez não seja normal, mas em França acontece.

 

Como surgiu esta oportunidade de representar o Nancy?

Foi uma oportunidade que teria gostado de já ter concretizado mais cedo, e houve oportunidades, mas nunca se realizou na altura. Desta vez, tive uma proposta da equipa, falei com o Treinador da equipa e aliciou-me. Estou muito satisfeito de estar a realizar este sonho. Talvez realizo este sonho no final de carreira, mas quero estar à altura desta Liga e quero fazer um bom trabalho. Quando sair, quando acabar, quero sentir que fiz tudo o que podia, e quero sentir-me realizado.

 

Havia essa vontade de emigrar novamente após a passagem pela Polónia?

Não havia muita vontade. Foi uma fase complicada este ano em que faleceu o meu pai. E sabendo que este ano não ia jogar num dos três grandes, sentia que não ia jogar ao mais alto nível, então decidi sair de Portugal e emigrar novamente.Queria viver o andebol da melhor forma nos últimos anos de carreira.

 

Quais foram as principais dificuldades na adaptação?

Eu não sei falar francês, mas toda a equipa tem-me ajudado. Já consigo perceber muitas coisas. É um desafio muito grande aprender uma nova língua para conseguir comunicar com os meus companheiros por exemplo, ou ainda com a população da cidade. Tem sido o mais complicado. De resto está tudo perfeito. Eu gosto muito da cidade, do clube, do ambiente que temos na equipa. Fui muito bem recebido.

 

Foi mais complicado na Polónia ou não? No que diz respeito à adaptação…

Em termos de adaptação é melhor aqui do que na Polónia. Quando saí de Portugal para a Polónia, eu mal sabia falar inglês. Mas aprendi inglês e agora não tenho problemas com o inglês, o que me permite em França também comunicar com os meus colegas. Mas agora vou aprender francês. Está a ser tudo bastante agradável.

 

Como foi essa saída do Sporting CP?

Acabou o meu ciclo com o Sporting CP. Foram quatro anos em que fui bastante feliz, mas todos os ciclos acabam. Isto como os ciclos acabaram no FC Porto ou ainda na Polónia. Depois iniciamos outros ciclos. Somos profissionais e temos de estar sempre prontos para novos desafios.

 

É importante haver atletas portugueses no estrangeiro, como em França por exemplo?

Sim, é importante, porque em Portugal não temos um Campeonato tão competitivo que permita uma evolução. Se não estamos num dos três grandes, que também têm as competições europeias, é complicado. Não havendo investimento das outras equipas para tornar o Campeonato mais competitivo, é importante haver jogadores fora do país, jogando nas melhores equipas francesas, por exemplo, ou ainda em Espanha ou na Alemanha. Acredito que vai haver grandes evoluções nos atletas portugueses.

 

Como tem visto a evolução da Seleção portuguesa?

É brilhante o trabalho que tem feito a Seleção. Há que continuar nesse sentido. Acho que ainda há muito trabalho para ser feito e acredito que o andebol português vai crescer ainda mais e dar ainda mais alegrias aos portugueses.

 

Continua disponível para a Seleção portuguesa?

Faz parte das escolhas do Selecionador. Eu nunca deixei de estar disponível para a Seleção, aliás estive na última qualificação para os Jogos Olímpicos. Depois acabei por não participar nos Jogos Olímpicos, mas sempre estive presente e continuo disponível. Mas também já não sou nenhum jovem e existe muita qualidade na minha posição. Aliás eu estou muito contente de ver todos os jogadores que têm atuado na minha posição na Seleção.

 

Tem sentido o apoio da Comunidade portuguesa?

Já falei com bastante portugueses, principalmente fora de Nancy. Nancy não tem muitos Portugueses, mas já encontrei alguns. É engraçado. Aliás há um casal que é patrocinador do clube e são muito carinhosos. Toda a gente me tem tratado muito bem.

 

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