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O Evangelho do próximo domingo (Festa da Sagrada Família) convida-nos a visitar de novo o presépio, mas descobrimos com surpresa que o cenário sereno do “menino nas palhinhas deitado” transformou-se completamente: os pastores e os reis magos voltaram às próprias vidas e a família de Nazaré foi obrigada a fugir para o Egito, para escapar da fúria homicida de Herodes.

José, Maria e Jesus experimentam a condição dramática dos prófugos, marcada por medo, incerteza e dificuldades. Infelizmente, ainda hoje, milhões de famílias podem reconhecer-se nesta triste realidade. Quase todos os dias a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as suas famílias.

Dizia Bonhoeffer, teólogo alemão e mártir nos campos de concentração nazis: «Nós cristãos, não podemos nunca pronunciar as palavras últimas da fé, se antes não tivermos pronunciado as palavras penúltimas». A missão da Igreja é anunciar as palavras “últimas”: anunciar o Reino, a esperança e a salvação plena. Mas este anúncio não é completo se falta um compromisso sério no campo das realidades “penúltimas”, ou seja, se não nos batermos pela justiça, pelo progresso dos povos e pela dignidade humana.

«Era estrangeiro e acolheste-Me» (Mt 25,35). É tarefa da Igreja não só repropor ininterruptamente este ensinamento de fé do Senhor, mas também indicar a sua apropriada aplicação às diversas situações. Hoje o refugiado apresenta-se-nos como aquele “estrangeiro”, em quem Jesus pede que seja reconhecido. Acolhê-lo e ser solidário com ele é dever de hospitalidade e fidelidade à própria identidade de cristão.

 

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