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Em condições normais, hoje ao final da tarde e de todas as regiões da França, partiriam muitos autocarros em direção aos Altos Pirenéus, levando os participantes da peregrinação anual dos migrantes portugueses até ao santuário de Nossa Senhora de Lourdes.

Infelizmente, apesar do progressivo regresso à normalidade que experimentamos desde o dia 11 de maio, ainda não estão reunidas as condições necessárias para que se possa realizar uma grande peregrinação nacional.

Aliás, muitas paróquias (por exemplo, na diocese de Pontoise) terão que aguardar alguns dias até ao recomeço das celebrações comunitárias, pois o vírus Covid-19 ainda circula de forma agressiva em várias regiões.

No entanto, que seja celebrada em casa, acompanhando a liturgia pela internet, ou celebrada numa igreja, respeitando os “gestos barreira” e as regras de prevenção sanitária, viveremos um grande desafio: conseguir conciliar o espírito da solenidade de Pentecostes com a prudência e a distância social que a atual pandemia exige. Porque esse “espírito” (desta vez com um “E” maiúsculo) é o Espírito de Deus: Espírito de abertura, de encontro e de comunhão das diversidades.

Uma das imagens mais eloquentes dessa comunhão costumava ser a Missa internacional, celebrada no domingo de Pentecostes, na basílica subterrânea do santuário de Lourdes. Talvez não estivessem presentes habitantes da Mesopotâmia, da Judeia ou da Capadócia (tal como descreve o livro dos Atos dos Apóstolos) mas, todos os anos era impressionante ver aquela imensa assembleia, constituída por fiéis de inúmeras nacionalidades, reunir-se junto ao altar-mor para celebrar a Eucaristia e agradecer a Deus o dom do Espírito Santo.

O tempo que atravessamos não é propício às grandes assembleias… mas mesmo distantes, permanecemos unidos e agradecemos a Deus pela diversidade da família humana, que com as suas culturas, tradições e línguas diferentes é chamada a percorrer a estrada da comunhão e não da uniformização.

A Igreja Católica é uma comunidade multicultural e plurilingue! Graças ao fenómeno migratório, cada vez mais paróquias se deparam com a realidade concreta de uma assembleia heterogénea: onde antigamente preponderava uma única cultura, língua e sensibilidade religiosa, agora vemos uma variedade colorida de tradições e costumes, emblema do anunciado renovamento da face da terra.

Porém, o caminho da comunhão na diversidade não é isento de tensões e dificuldades. Por vezes, preconceitos e temores levam alguns a gritar «a igreja é nossa!» ou «nós estávamos aqui primeiro!». Estas frases não são apenas xenófobas: são anti-evangélicas; anti-cristãs.

A solenidade de Pentecostes recorda-nos que a união de todos os povos em Cristo faz parte da missão do Espírito Santo. Recorda-nos que somos chamados a construir pontes; não a levantar muros! Recorda-nos que na Igreja ninguém é estrangeiro, pois todos somos filhos e filhas de Deus.

 

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