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A prova ciclista francesa Paris-Roubaix, vertente masculina, decorreu no passado domingo, 3 de outubro entre Compiègne e Roubaix, numa distância de 257,7 quilómetros, com a participação de dois atletas portugueses: André Carvalho (Cofidis) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates).

O ciclista italiano Sonny Colbrelli (Bahrain-Victorious) venceu a edição 2021 da prova, superiorizando-se ao sprint ao belga Florian Vermeersch (Lotto Soudal) e ao holandês Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix).

O primeiro ciclista francês foi Christophe Laporte (Cofidis) que terminou no sexto lugar, a 1 minuto e 16 segundos do vencedor da prova.

Quanto aos dois ciclistas portugueses, acabaram por não acabar a prova francesa, a lendária corrida dos ‘pavés’.

O LusoJornal falou com André Carvalho, atleta luso de 23 anos, que admitiu ser um fã do ‘Inferno do Norte’, como é conhecida a prova francesa.

 

O que representa Paris-Roubaix para si?

Honestamente, para mim é um sonho estar aqui. Em Sub-23 tinha participado na prova, em 2019, com a Hagens Berman Axeon, e terminei no quinto lugar. Mas sabia que na prova ‘elites’ o nível é completamente diferente e ainda por isso não tinha as mesmas funções dentro da equipa. Mas estar aqui é um sonho realizado.

 

Quinto lugar nos Sub-23, quer dizer que gosta deste tipo de provas?

Eu gosto. Desde as camadas jovens que o ‘pavé’ foi sempre uma coisa que me chamou a atenção e que me desafiava. Eu sempre gostei disto. O Paris-Roubaix, para qualquer ciclista que goste deste tipo de corridas, é a corrida que qualquer um ambiciona fazer.

 

Os ‘pavés’, gosta-se ou não se gosta, é radical?

Não há meio-termo, ou se gosta, ou se odeia. É realmente muito duro, especialmente com as condições que tivemos. Esta corrida ficou na história, de certeza.

 

Neste tipo de provas, com estas condições, é para arriscar?

O objetivo era ajudar o Christophe Laporte e o Piet Allegaert, eram os nossos homens principais para a prova. As minhas funções era ajudá-los mas tentar ir o mais longe possível também. Mas esta corrida é especial e tudo pode acontecer. É uma prova em que também temos de saber improvisar.

 

Há medo com as condições meteorológicas?

Não. Isto é sempre o mesmo. Ultimamente tenho feito provas assim, então já estou habituado. O ‘pavé’ é claro um pouco diferente, mas isto também faz parte do ciclismo.

 

Que balanço podemos fazer da primeira temporada com a Cofidis?

A nível pessoal acho que foi uma temporada onde acabei por fazer corridas de categoria World Tour [ndr: nível mais alto no ciclismo] nomeadamente as ‘Clássicas’ e não estava à espera disto no meu primeiro ano na Cofidis, de fazer corridas tão importantes. Pessoalmente acho que fiquei aquém das expetativas, das minhas próprias expetativas, mas também é verdade que tive alguns azares, algumas quedas, também estive doente em alturas complicadas que me dificultaram um pouco o trabalho. Mas isto tudo acaba por ser experiência que adquiri para o próximo ano. Temos sempre que ver o lado positivo das coisas e é assim que eu encaro esta época que agora está a acabar. E espero que esta época vai acabar da melhor maneira.

 

O que espera de 2022?

Para o próximo ano a equipa vai perder nomes importantes que tinha em 2021, então espero poder ter as minhas oportunidades. Claro que a equipa é sempre o mais importante, o coletivo, mas se tiver as minhas oportunidades, vou tentar aproveitá-las e dar o melhor de mim.

 

Quais são os sonhos que ainda tem o André?

Este ano já concretizei dois, que não esperava concretizar no meu primeiro ano de World Tour: um deles foi estar no Tour de Flandres e o outro foi estar presente no Campeonato do Mundo. Concretizei outro, neste domingo, em estar presente no Paris-Roubaix. Daqui para frente é evoluir ao máximo e ter a oportunidade de ganhar corridas. Eu não fujo às regras, quero ganhar provas e fazer uma boa carreira no estrangeiro.

 

Houve a primeira edição do Paris Roubaix Feminino, 125 anos após a primeira edição masculina, qual é a sua opinião?

O único comentário que posso fazer é que é muito bom que estejamos a progredir neste aspeto. Elas merecem tanto como nós. Portanto acho que é um passo importante. E espero que assim continue porque é bom para o ciclismo e para o ciclismo feminino ainda melhor.

 

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