
A participação política dos portugueses e lusodescendentes em França atingiu um novo nível de “maturidade” nas eleições autárquicas de 2026, afirmou o Presidente da Associação Cívica, Paulo Marques.
“Estamos a verificar, no mapeamento dos autarcas eleitos, que há mais Maires, Maires Adjoints ou Conselheiros municipais com pelouros do que em 2008, 2014 ou 2020”, afirmou à Lusa Paulo Marques, ele próprio Maire-Adjoint do município de Aulnay-sous-Bois, nos arredores de Paris.
Eleito pelo partido de centro-direita Les Républicains, Paulo Marques reconhece que a Comunidade portuguesa reflete agora “claramente” a polarização da política francesa “de um lado e do outro dos extremos”, existindo autarcas de todos os partidos do espectro.
“Já estamos na terceira geração de franceses com origens portuguesas e eles são a imagem de França”, disse à Lusa, à margem do Congresso anual da Civica, associação de autarcas franceses de origem portuguesa, em Paris.
Por essa razão, salientou que a Cívica “é uma associação não política”, onde, “ironicamente, não se fala de política”, pois “o objetivo é a participação cívica”.
Nas eleições locais de março deste ano foram identificados 41.358 candidatos de origem portuguesa, cinco vezes mais do que os sete mil registados em 2001, apurou a associação. Este aumento exponencial só foi possível porque os portugueses residentes em França passaram a poder votar nas eleições autárquicas e regionais francesas e também a ser elegíveis, enquanto cidadãos da Comunidade Europeia, agora União Europeia.
No espaço destes 25 anos, o número de eleitos quase triplicou, de três mil em 2001 para cerca de 8.100 em 2026.
O Conselheiro social da Embaixada de Portugal em França, Paulo Duarte, considerou a crescente participação dos portugueses e das pessoas de origem portuguesa nas eleições autárquicas “um dos melhores exemplos da capacidade de integração e de empenho cívico e político da nossa diáspora em França”.
No entanto, entende que “continua aquém do que gostaríamos”, numa referência ao facto de a Comunidade portuguesa em França rondar um milhão de pessoas.
Para o Deputado do PSD eleito pelo círculo da Europa, Carlos Gonçalves, “a afirmação do peso político dos portugueses ou dos franco-portugueses em França ajuda na relação bilateral”, afirmou à Lusa.
O Deputado defende ainda que “os autarcas franceses de origem portuguesa são essenciais na “cooperação descentralizada” com Portugal, promovendo relações muitas vezes “com territórios que consideramos de baixa densidade e que necessitam de investimento e de turismo”.
O encontro realizado numa sala do Senado francês, o 26º desde a criação da Civica em 2000, teve a presença de cerca de 50 pessoas, número reduzido que Paulo Marques atribuiu à necessidade de muitos autarcas terem reuniões para avaliar o impacto dos protestos estudantis das últimas semanas. Escolas e mobiliário urbano foram vandalizados em todo o país, estando os estragos avaliados em dezenas de milhões de euros. “Estes são assuntos nacionais, não são locais, mas os autarcas é que sofrem”, lamentou Paulo Marques.






