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Originário de Valpaços, Paulo Saraiva da Silva reside em Paris onde tem um atelier de pintura e tem obras espalhadas pelo mundo. Atualmente considera que tem uma “vida de recluso sanitário”, mas nem por isso deixou de criar. Pelo contrário, a falta d suportes leva-o a experimentar novos materiais.

 

Como está a passar este período?

Como todos os cidadãos, estando consciente da situação atual, estou confinado em casa, em Paris, onde resido principalmente. Com algumas saídas para efetuar o necessário, principalmente alimentação e outras ações de sobrevivência, vivo o meu dia-a-dia em casa, fazendo algumas tarefas quotidianas, um pouco de televisão, mesmo se as atualidades nos saturam em relação ao tema atual, mas principalmente continuando a minha vida artística. Tenho a sorte que o meu atelier está situado no mesmo prédio onde resido, o que me facilita e alivia a minha criação artística, mesmo já estando sem material, a imaginação leva-me a utilizar material improvável, como os últimos trabalhos que realizei: pintura a óleo sobre cortinado de duche, em plástico ou polyester, também trabalho pintura a óleo sobre radiografias médicas, enfim… tudo o que me vem à mão e que possa utilizar, pois a imaginação é fértil no meu caso…

 

Está preocupado com a situação atual de pandemia?

Claro que sim, como toda a gente, penso eu. Hoje em dia, vivemos num mundo tão superficial, egoísta e hipócrita, que esquecemos ou ignoramos certas coisas que nos rodeiam. Coisas essas que, de certa forma, evoluem por elas mesmas… e sei lá! Talvez a mãe natureza se vingue dos nossos atos e nos faça analisar e ver o mundo de uma maneira diferente! Pois também acho que é o momento de rever muitas coisas, a vida em que vivemos e como vivemos. Há que repensar o modo como tratamos o que este mundo nos deu e dá, e principalmente respeitar com muita gratidão.

 

Quando esta situação estiver ultrapassada, o que espera do ‘novo mundo’?

O que eu espero quando esta situação estiver ultrapassada, é que continuemos solidários como neste momento, e que a mentalidade de todos nós mude para melhor. Que respeitemos melhor o que este mundo maravilhoso nos proporciona, e assim progredir num sentido mais positivo em todos os meios e oportunidades. A arte não pode salvar o mundo… mas pode ajudar a vê-lo mais belo.

 

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