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De 18 a 21 de setembro irá realizar-se em Paris, o II° Congresso da ABRE-Associação dos Brasilianistas na Europa, com o tema “Ditadura militar e legado autoritário em narrativas brasileiras contemporâneas”. O evento decorrerá na École des Hautes Études en Sciences Sociales, sob a coordenação das professoras universitárias Rita Olivieri-Godet e Mireille Garcia, do ERIMIT-Universidade de Rennes II.

No âmbito deste congresso, os painéis do dia 19 de setembro estarão abertos ao público, com várias intervenções, acompanhadas de debates. “A representação da ditadura militar e do seu legado autoritário, – afirmam os organizadores do encontro – originou textos escritos ‘no calor da hora’, relatos testemunhais e memorialísticos de vítimas da repressão ou, mais recentemente, romances de autores mais jovens, nascidos em torno de 1964”.

Através da nota de apresentação do programa, ficamos informados que “os painéis colocarão em perspetiva narrativas recentes consagradas à memória traumática da ditadura militar, examinando os procedimentos estéticos que desvelam, entre outras questões: a persistência das marcas do autoritarismo nas relações sociais e políticas, a representação brutal da violência, a hipertrofia do poder policial, a dimensão íntima e subjetiva da história, a experiência do exílio, as tensões entre memória, esquecimento e ocultamento do trauma. Dar-se-á destaque às estratégias literárias para intervir na rede dos discursos sociais, no contexto atual da sociedade brasileira marcado pelo eco da ideologia totalitária”.

Programa: Na parte da manhã, o painel B20 (9h30-12h30), propõe as seguintes exposições: Memória e resistência: o legado dos filhos das ditaduras, por Eurídice Figueiredo, que abordará o romance “A resistência” (2015) do escritor Julián Fuks, uma voz da segunda geração, a voz dos filhos das ditaduras, que procura entender a trajetória dos pais militantes num outro momento histórico; A escrita da resiliência face ao traumatismo histórico, através da leitura de “Palavras cruzadas” (2015), de Guiomar de Grammont, por Leonor Lourenço de Abreu; Estilhaços da memória no pântano da história: “Noite dentro da noite” de J. R. Terron, por Rita Olivieri-Godet, que tratará da memória da infância num país sob regime militar (ditadura de 1964), evocando igualmente o período que lhe antecede e que lhe é posterior e captando a barbárie de uma «era dos extremos»; 64, um peso delegado: mea culpa e autopunição, o colaborador em “Não Falei”, de Beatriz Bracher, e o desertor, em “Azul Corvo”, de Adriana Lisboa, é o enunciado sob o qual intervirá Karina Marques; na comunicação intitulada Luiz Ruffato e a refração do realismo, Tânia Pellegrini procurará verificar como no “Inferno provisório” (publicado inicialmente em cinco volumes), Luís Ruffato representa aspetos da sociedade brasileira contemporânea, como a desigualdade social e a violência crescente.

À tarde, o painel C20 (14h30-17h00) começará com o tema A palavra em exílio: o caso de “K.”, de Bernardo Kucinski, apresentado por Ettore Finazzi-Agrò, que destacará o papel fundamental da escrita no romance “K” em que o autor testemunha as feridas que a ditadura militar deixou atrás de si e que o novo regime autoritário tenta novamente apagar; O romance brasileiro contemporâneo: espaço poético contra o esquecimento, uma intervenção de Sandra Assunção, que evocará a Comissão Nacional da Verdade pelo Estado brasileiro (instaurada em 2012, dando início a um trabalho oficial de memória) e que analisará o recente diálogo estabelecido por escritores da segunda geração; A ditadura nos romances brasileiros da geração pós-memorial: estratégias literárias e ecos do presente, uma comunicação através da qual Ilana Heineberg abordará alguns romances de escritores que não viveram diretamente o trauma das ditaduras militares brasileira ou argentina; Estratégias, espaços e memórias da resistência em “A noite da espera” (2017), de Milton Hatoum, por Mireille Garcia, que lembrará a morte do estudante Edson Luís de Lima Souto, assassinado em 1968 por policiais militares e os “anos de chumbo” da ditadura militar, destacando as estratégias de resistência da juventude ativista, assim como os espaços de militância na então recente capital brasiliense; “Amores exilados”, de Godofredo de Oliveira Neto, romance da militância brasileira em Paris, por José Luís Jobim, que através deste livro falará da imigração brasileira no final dos anos 60. Uma imigração que não significava rutura com o país de origem, pois tratava-se de imigrantes que se consideravam em geral como exilados enquanto durasse a ditadura e não como expatriados permanentes.

 

Quinta-feira 19 de setembro

École des Hautes Études en Sciences Sociales

54 boulevard Raspail

75006 Paris

 

Linda de Suza 19/20
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