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O investigador emérito do INESC José Tribolet defendeu, em entrevista à Lusa, a existência de “mais opções de voto” e considera ser necessário um debate alargado sobre o voto digital.

“Acho que a responsabilidade primordial dos responsáveis políticos do país é assegurar que cada português tem todas as condições para exercer o direito de voto e o que se passa é que esse direito não está a ser assegurado”, afirmou o antigo Presidente do INESC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores.

A abstenção nas eleições, referiu, além de residir, “por um lado, no facto de as pessoas estarem um bocado fartas destas campanhas [eleitorais] e depois continuar tudo mais ou menos na mesma”, também resulta de haver “imensas barreiras reais ao exercício do direito de voto”, apontou.

As pessoas “só votam num dia, naquele sítio, e há muita gente para quem isso é uma barreira aliada à pouca vontade que têm de votar”, prosseguiu o académico, dando o exemplo das eleições presidenciais recentes.

“O que se passou este ano com pessoas confinadas não poderem votar é uma vergonha” porque já se sabia “perfeitamente que ia haver pessoas confinadas”, criticou José Tribolet.

Claro que também existe o voto por correspondência, que “é uma opção que tem sido seguida pela emigração”, mas “não vejo nenhuma razão para que não se possa aumentar as opções de voto, conjugando com o suporte das tecnologias digitais”, defendeu.

Ou seja, “quando digo aumentar as opções de voto, não digo impor que o voto seja feito por meio digital. Isso seria tão errado como proibir que seja feito por meio digital”, mas “aumentar o espaço das alternativas garantindo condições adequadas de segurança” como o voto digital, é uma via, prosseguiu Tribolet.

Para o investigador, “nada é 100% seguro”, nem o atual voto presencial, nem o voto por correspondência, nem “o voto digital é, nem o será”, mas “há maneiras de diminuir muito o risco de fraude e penso que hoje o exercício de voto por via digital já tem versões que garantem níveis de segurança bastante fortes”, considerou.

“Não compreendo porque é que hoje, quando os cadastros eleitorais já são digitais, já estão unificados, porque é uma pessoa não pode ir votar em qualquer sítio que entenda”, disse, admitindo que possa haver uma pré-inscrição nos dias anteriores para que haja uma “logística adequada” no local onde se decide ir votar.

José Tribolet questiona também “porque é que os emigrantes não podem votar digitalmente”, obrigando-os “a ir a um consulado a ‘cascos de rolha’”, o que resulta numa votação baixa neste círculo.

“Claro que a Constituição tem de ser revista”, disse, defendendo um debate alargado sobre o tema. “Vamos discutir isso numa linguagem que o povo entenda”, instou José Tribolet, salientando que a discussão “tem de ser aberta”.

Atualmente, referiu, qualquer operação que se faça por meio digital tem “dupla segurança”, sugerindo que o mesmo poderá acontecer com o voto eletrónico. “Este é um assunto que tem de ser tratado”, num momento “onde a nossa vida individual e coletiva no mundo físico e virtual está hoje simbioticamente ligada”, rematou Tribolet.

 

Alexandra Luís, Lusa

 

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