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Política

 

 

A maior surpresa da repetição das eleições legislativas pelo círculo eleitoral da Europa foi a eleição de dois Deputados do Partido Socialista e por conseguinte a eleição da lusodescendente Nathalie de Oliveira que vai entrar pela primeira vez no Parlamento português.

“Quando recebi um primeiro telefonema a dizer-me que havia uma grande chance de termos o segundo lugar no Parlamento, confesso que eu não acreditei de imediato. Não acreditei logo, foi preciso vários telefonemas. Depois pediram-me para não dizer nada porque não era ainda oficial, mas uns minutos depois as redes sociais começaram a dizer que o PS tinha conseguido os 2 lugares no Parlamento” disse Nathalie de Oliveira numa entrevista ao LusoJornal.

Foi um momento de grande emoção e a primeira pessoa que contactou foi a mãe. “A minha mãe estava a fazer uma caminhada em Celorico de Basto, com a melhor amiga dela, e foi um momento muito emocionante”.

Há quase 20 anos que Nathalie de Oliveira se bate “pela causa dos Portugueses no estrangeiro. Está no meu peito, antes mesmo de eu ter aderido ao Partido Socialista francês e português. E foi esta mesma causa que me levou a entrar agora no Parlamento português para representar a primeira, a segunda, a terceira… a quarta geração… e sempre assumi ser a filha do salto. Podia ter continuado a ser mulher a dias, mas os dois países fizeram de mim uma militante”.

A nova Deputada está a receber centenas de mensagens de felicitações pela eleição inesperada. Nathalie de Oliveira queria ser cabeça de lista pelo círculo da Europa, acabou por aceitar ficar em segundo lugar, sabendo que tinha poucas hipóteses de ser eleita, mas acabou por ver recompensada, pelos eleitores, quase duas décadas de militância.

Em 2008 foi eleita, durante um mandato de 6 anos, Maire Adjointe de Metz, mas já foi também candidata às eleições legislativas francesas e às eleições legislativas portuguesas. “Portugal reparou uma forma de injustiça por a França não ter conseguido eleger-me” confessa ao LusoJornal, argumentando que se sente dos dois países. “Eu venho de baixo, venho da base, não sou eleita com teoria, mas sim com as ciências da vida”. E acrescenta que “muita gente me dizia que é necessário não dar nas vistas. Eu tive que ultrapassar esse sentimento. Porque razão os Portugueses da primeira geração e nós depois, não deveríamos dar nas vistas? Nem nos devemos sentir mais baixos nem mais importantes do que qualquer outro povo”.

Nathalie de Oliveira considera que não se tratou apenas de uma derrota do PSD, mas também de uma vitória do PS. A anulação da primeira votação foi “um grande trauma” e por isso, a agora Deputada considera que os eleitores “votaram certamente mais contra o PSD, mas também foi uma vitória para o PS porque eu acredito que as palavras têm sentido. Mesmo se a culpa não é só do PSD, de certeza absoluta, mas houve uma vontade de castigar o PSD e houve também uma confirmação, muitas pessoas disseram-me que não tinham votado em janeiro e que desta vez queriam votar porque queriam participar nessa maioria absoluta do Partido Socialista” disse ao LusoJornal.

“Os Portugueses a residir na Europa podiam ter desistido completamente da eleição, organizada num tempo recorde, com todas as dificuldades que nós conhecemos, mas houve mais de 100.000 votantes e confirmaram a votação no Partido Socialista” afirma Nathalie de Oliveira. “É uma grande responsabilidade para nós. Não podemos desiludir, temos de fazer política respeitando o projeto que foi proposto, concretizando-o, em particular esta prioridade de alteração da Lei eleitoral”. E nesta primeira entrevista ao LusoJornal depois da eleição, Nathalie de Oliveira confessa que “até me apetecia agradecer a repetição da eleição”.

Nathalie de Oliveira diz estar preparada para assumir a função.

Pensa no pai que deixou Portugal com apenas 15 anos e veio sozinho para França para se juntar a um irmão que já cá vivia. “Eu encarno esta história na minha pele, nos meus ossos, no meu coração, na minha cabeça… É esta história que nutre esta paixão pela causa dos Portugueses que moram no estrangeiro. É uma grande honra e uma grande responsabilidade para mim porque apesar desta história, eu tenho os pés e a vida no século XXI”.

“Esta não é uma história que vou viver sozinha, é uma história que vou viver com o maior número de pessoas e de concidadãos portugueses e o que eu sempre sonhei é levar o maior número de pessoas possível a fazer política comigo. Há pessoas da primeira geração que dizem que não têm consciência política, mas elas sabem muito mais disto do que pensam”.

O parlamento deve tomar posse na próxima semana, no dia 29 de março.

 

Ver a entrevista completa AQUI.

 

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