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Política

 

 

O Presidente do PSD, Rui Rio, está hoje em Paris, e afirmou que não tem conhecimento de que membros das estruturas do PSD em França tenham participado num jantar do Chega no fim de semana passado, nos arredores de Paris, defendendo que o voto no partido de André Ventura “é um voto perdido”.

Em causa está a presença do Presidente da Secção do PSD de Paris, Joaquim Morais, no jantar de campanha do Chega, sentado na mesa de honra, com André Ventura e dos representantes do Rassemblement National, com um cachecol do partido e a aplaudir os discursos do líder do Chega.

Joaquim Morais confirmou ao LusoJornal que esteve presente no jantar para o qual foi convidado pelo candidato do Chega, José Dias Fernandes. “Eu conheço-o, é uma pessoa que eu respeito e ele convidou-me para o jantar e eu aceitei” diz Joaquim Morais ao LusoJornal. “Fui lá mas não fiz qualquer intervenção, não apelei a votar pelo Chega e nem sabia que lá estava a irmã da Marine Le Pen. Tirei-a pela pinta e confirmaram-me que era ela. A bem dizer, nem sabia que ia ficar na mesa de honra”.

Uma semana antes, Joaquim Morais acompanhou Rui Rio que esteve em Paris em campanha eleitoral para a candidata Maria Ester Vargas, que se apresenta por este círculo eleitoral. “Eu tive oportunidade de estar aqui em Paris há uma semana, onde tive encontros com a Comunidade portuguesa, onde expliquei muito claramente o interesse de votarem no PSD para enfraquecer o PS e que o voto no Chega é um voto perdido”, afirmou o Presidente do PSD em declarações aos jornalistas.

Rui Rio está em Paris para um encontro da Direita europeia que conta com figuras como Karl Nehammer, Chanceler austríaco, assim como Krisjanis Karins, Primeiro-Ministro da Letónia e ainda a candidata às eleições presidenciais francesas Valérie Pécresse.

À entrada para a cimeira do Partido Popular Europeu, Rui Rio indicou não ter conhecimento da participação de membros das estruturas do Partido em França no jantar-comício que decorreu no sábado, em Créteil, com o líder do Chega. “Do ponto de vista ideológico, para mim, não faz sentido rigorosamente nenhum para quem normalmente vota no PSD”, reiterou.

Em declarações à Lusa, André Ventura tinha afirmado, no domingo, que vários membros e simpatizantes do PSD tinham estado presentes neste jantar de campanha junto das Comunidades portuguesas em França. “Repito que não vi lá mais nenhum outro representante do PSD” confirmou Joaquim Morais.

“Eu não sou político e quando cheguei lá, a esposa do José Dias Fernandes pôs-me um cachecol e chamou-me para uma fotografia e eu fui, sem qualquer problema, mas eu sou do PSD e continuarei a ser” diz o Presidente da Secção do PSD de Paris.

Confrontado com o facto de ter aplaudido os discursos do candidato e do Presidente do Chega, Joaquim Morais diz que o discurso “teve partes interessantes” e destacou que “eles disseram que os políticos só se lembram dos emigrantes por alturas das eleições e que a emigração merece mais do que 4 Deputados. Eu concordo com isso, claro. Quem pode discordar?”

A Secção do PSD/Paris emitiu um comunicado para denunciar que o Partido escolheu os candidatos pelo círculo eleitoral da Europa “sem nos ter consultado, sem ouvirem o que temos a dizer sobre esta questão” disse ao LusoJornal. É raro que as estruturas do PSD de França tomem esse tipo de posição, porque habitualmente costumam ser discretas nas tomadas de posição. “É claro que os nossos militantes ficaram amuados. E também é verdade que em Lisboa ficaram doentes com o nosso comunicado, mas nem nos responderam. Escolheram uma candidata que ninguém conhece e pronto, avançaram”.

Joaquim Morais diz ser “um homem sério”. Antigo seminarista, garante que é “um homem de Direita, sempre fui um homem de Direita, e sempre serei do PSD, até à morte”.

“E, apesar do Rui Rio ter levado uma grande bofetada nestas eleições e o partido estar em baixo, a Secção do PSD de Paris ainda não vai morrer e há-de voltar a erguer-se” completou em declarações ao LusoJornal.

 

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