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Quatro jornadas estão decorridas do Campeonato da 1ª divisão de voleibol francês. O Tourcoing Lille Metropole (TLM) está a fazer um inicio de Campeonato espetacular: quatro jogos, quatro vitórias.

Entrevistamos, Lourenço Martins, contratado este ano ao Sporting pelo clube nortenho da França, para sabermos as razões do sucesso e de como está a correr a sua adaptação a um Campeonato bem mais competitivo do que o português.

 

Como surgiu a sua vinda para o TLM Volley?

Era algo que eu ambicionava já há muito tempo. Desejava estar em contacto com um Campeonato diferente, com jogadores diferentes, com um sentido mais profissional, num Campeonato com equipas todas profissionais. Acabou por correr bem, porque vim para uma grande equipa, numa cidade belíssima, embora o clima não seja igual ao do nosso país, contudo acaba por ser uma boa cidade para quem se quer focar no voleibol como eu.

 

Por que clubes passou em Portugal antes de chegar aqui ao Tourcoing?

Eu fui formado no Leixões Sport Club, na minha cidade de Matosinhos, que tem muita tradição no voleibol. Transferi-me para o Castelo da Maia, depois fui para o Sporting onde fomos Campeões, voltei para o norte, para o Espinho, que também tem muita tradição, regressei ao Sporting e agora aqui estou no TLM. Sair de Portugal era meu desejo há muitos anos e de jogar num grande Campeonato profissional como é o francês.

 

Com está a correr a sua adaptação ao TLM?

Está a ser fácil. O único problema é a crise sanitária que estamos a atravessar todos. Tenho algumas dificuldades em entender alguns comportamentos do povo francês, que me parece não estarem tão habituados às medidas de prevenção como em Portugal, não respeitando as medidas de segurança que se impõem. Para além disto, os meus colegas têm sido espetaculares. Temos uma equipa muito jovem, foi muito fácil a minha integração.

 

Antes do começo do Campeonato só tiveram dois jogos de treinos, contudo vão hoje com a quarta vitória consecutiva. Como explica o sucesso do TLM neste princípio de época?

Antes do início do Campeonato tivemos um período difícil, com 18 jogadores que foram contaminados, alguns de nós com sintomas, tendo de ficar isolados, sem poder treinar ou fazer exercício físico. Com o esforço de todo o grupo, acabamos por conseguir dar a volta a tudo isso, conseguindo dar uma boa resposta em casa e nas duas deslocações difíceis que já tivemos de jogar, em Paris e Nantes.

 

Uma surpresa de se encontrarem por enquanto no primeiro lugar?

Não me surpreende, porque treino-me todos os dias com esta malta e sei a qualidade que nós temos. Penso que por sermos uma equipa jovem talvez ganhemos a nível físico às outras. Hoje jogamos em casa, foi um muito bom jogo, com público, sendo talvez a última vez, a vitória de hoje foi muito boa para nós.

 

Que nota como diferenças entre o voleibol português e o francês?

Acima de tudo é um jogo mais físico e acaba por ser mais técnico, os jogadores são mais evoluídos, assim como o sistema de jogo, o nível de serviço é completamente diferente, todas as equipas servem muito bem, coisa que não acontece em Portugal. É difícil de comparar com Portugal onde temos somente três ou quatro equipas profissionais. Aqui acorda-se a pensar no vólei, almoça-se a pensar no vólei, acho que isso faz a diferença.

 

Como analisa o vólei português a nível da nossa Seleção?

Acho que temos feito, nestes três ou quatro últimos anos, um excelente trabalho a nível da Seleção. Muita gente não gosta da Seleção, embora tenhamos feito ultimamente um excelente trabalho, apurámo-nos para o Europeu e para a maior competição internacional de voleibol. Tem sido espetacular de jogarmos a esse nível, ao nível por exemplo da equipa de França. O evoluir do nível da Seleção vai depender destes jogadores que saem de Portugal vivendo e jogando em Campeonatos de maior nível. Quando jogamos contra uma França, uma Bulgária, os Estados Unidos, a experiência adquirida no estrangeiro ajuda a não sentirmos tantas diferenças.

 

O Miguel Tavares jogou aqui no TLM. Já teve contacto com ele e que ele deu-lhe alguns conselhos?

O Miguel sempre foi muito insistente comigo, incentivando-me a ter uma experiência no estrangeiro, saindo da minha zona de conforto. Acabou por ser o Tourcoing, tornando-se numa coincidência engraçada. Ele é muito querido aqui, onde ganhou a Taça de França. Estou em contacto com ele quase todas as semanas.

 

O Lourenço Martins é o único jogador português na primeira divisão francesa. Não se sente um pouco só?

À partida eu sabia que, nem só em França como noutros países, não há muitos jogadores portugueses a jogarem no estrangeiro. Estava preparado para isso. Tenho a sorte da minha equipa ter muitos jogadores da América do Sul, acabamos por nos entender muito bem.

 

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