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O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris, António Fernandes, diz que há casos de fome na Comunidade portuguesa de França e confirma que há cada vez mais pessoas a pedirem ajuda àquela instituição de solidariedade.

“As capacidades da Santa Casa da Misericórdia de Paris são limitadas e cada vez tem mais pedidos” disse numa entrevista à RTP internacional. “A necessidade será cada vez maior com tudo o que se está a passar. A pandemia de Covid-19 vai deixar cicatrizes graves e devemos estar preparados para ajudarmos aqueles, muitos, que cada vez têm mais necessidade”.

António Fernandes diz que a Misericórdia de Paris ajuda cerca de 200 e 300 pessoas por ano. “Atualmente temos cada vez mais pessoas a fazer pedidos de necessidade para comer, não é só pessoas que têm dificuldades para pagar os alugueres, mas é bem pior, são pessoas que têm fome”.

Todos os anos, a instituição de apoio social faz uma campanha de recolha de alimentos. “Todos os anos costumávamos ter uma ou duas toneladas de alimentos, mas este ano tivemos 4 ou 5 toneladas. No entanto, estivemos a fazer o ponto da situação na Associação Cultural Portuguesa de Puteaux, onde temos os alimentos armazenados, temos muita massa e arroz, mas há muita coisa que já não temos”.

As pessoas que solicitam apoio à Santa Casa da Misericórdia de Paris são essencialmente Portugueses, mas António Fernandes garante que “quando alguém vem bater à nossa porta, mesmo se não é português, também damos apoio”.

Contrariamente ao que pode parecer, a Santa Casa da Misericórdia de Paris não beneficia dos apoios da Santa Casa da Misericórdia de Portugal e para o seu funcionamento recebe um financiamento da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, via Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP). “O Consulado de Portugal em Paris tem feito o que é necessário e o que pode e dá apoio de 15.000 euros todos os anos”, mas o Provedor explica que, curiosamente, “este apoio não é diretamente para ajudarmos as pessoas que necessitam, mas é para organizarmos eventos”.

A Misericórdia de Paris organiza todos os anos um jantar de gala para recolha de fundos e organiza uma Corrida da solidariedade, também para recolha de fundos, e na qual participam sempre muitos Portugueses.

No fim da entrevista à RDP internacional, António Fernandes deixa algumas críticas. “Os políticos vêm aqui, são bem recebidos, batem-lhes palmas, vão-se embora e nunca mais fazem nada” e acrescenta que “os Portugueses residentes no estrangeiro há anos e anos que dão milhares para ajudar Portugal. Isto não quer dizer que nos deve alguma coisa, não nos deve nada, ninguém deve nada a ninguém, até nos sentimos satisfeitos por ajudar Portugal, mas Portugal não nos tem ajudado nada”.

 

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