
Faleceu no domingo, dia 12 de abril, em Paris, o advogado e tradutor português João Viegas, figura respeitada nos meios jurídico e cultural luso-franceses, narido da editora Anna Lima. A cerimónia de despedida terá lugar no dia 22 de abril às 10h15 na grande cúpula do crematório do Père-Lachaise, estando aberta à presença de familiares, amigos e todos os que lhe queiram prestar homenagem.
A notícia da sua morte, comunicada pela esposa e filhas foi recebida com pesar entre colegas, amigos e membros da Comunidade portuguesa em França, que recordam o seu contributo para a divulgação da literatura portuguesa e o seu envolvimento em causas ligadas às defesas de direitos.
Nascido em Portugal, João Viegas com formação dupla em Direito e Filosofia na Universidade Paris 2, encontrava-se, desde 2021, inscrito na Ordem dos Advogados de Paris e a exercer advocacia em França.
No âmbito da sua atividade profissional jurídica interveio em matérias ligadas ao direito do trabalho e ao direito administrativo e na sua atuação contam processos com cobertura mediática e de dimensão internacional incidindo nas áreas de litígios laborais e questões de responsabilidade institucional.
Paralelamente à advocacia, João Viegas desenvolveu um percurso relevante como tradutor. Fluente em várias línguas, dedicou-se à tradução de textos jurídicos, técnicos e literários. Colaborou na tradução para francês de “O Caminho da Serpente”, de Fernando Pessoa, publicada em 2008, e traduziu “Relatos da Prisão do Porto”, de Camilo Castelo Branco, obra publicada em 2017.
O seu trabalho em prol da literatura foi reconhecido internacionalmente, tendo sido distinguido em 2024 com o Prémio Laure Bataillon, atribuído conjuntamente à autora Isabela Figueiredo e ao tradutor pela obra “La Grosse”. Em 2025, recebeu ainda o Prémio Alain Bosquet pela tradução de “Division de la joie”, de Raquel Nobre Guerra.
A sua morte foi lamentada por diversas entidades, incluindo o Centro Cultural Português de Paris: “Através do seu trabalho notável, João Viegas contribuiu para divulgar a literatura portuguesa junto dos leitores francófonos”, escreveu o organismo que integra a rede externa do Instituto Camões, numa nota assinada pelo seu Diretor e Conselheiro cultural da Embaixada de Portugal, Jorge Barreto Xavier, mas também por Fernanda Jumah e Patrícia Marreiro.
O falecimento de João Viegas representa uma perda para a Comunidade jurídica e cultural portuguesa, em particular no contexto da diáspora em França, onde desenvolveu grande parte da sua atividade profissional e cultural.






