LusoJornal / Mário Cantarinha

O 25 de Abril do dirigente associativo José Cardina

25 de Abril de 1974, quinta-feira. Um rapaz de 12 anos sai da escola e dirige-se para a paragem do autocarro afim de voltar para casa como todos os dias. Inabitualmente, as pessoas que cruza na rua cantam “Grândola, Vila Morena” e “O povo unido jamais será vencido” e ele pergunta-se porquê?

«Viva a liberdade» dizem as pessoas, mas este jovem não se sente cativo e não compreende nada na política. O que se passa? Vamos ocupar as propriedades dos ricos para fazer infantários, agora somos livres, diz o povo e o jovem seguia o movimento, os militares têm os cabelos longos e um cravo vermelho na extremidade da arma e o jovem continua sem compreender.

Acabou a PIDE! O que é isso? A Polícia de Estado? Para que serve?

Este jovem cresceu, estudou a história, os factos, visitou os lugares de tortura desta famosa Polícia e compreendeu o que viveu sem saber.

Este jovem era eu e hoje festejo esta data de modo que a memória não se apague, para assim honrar os que deram a vida pela liberdade, para a nossa liberdade e que ninguém volte de novo a sofrer do Fascismo como o povo português o sofreu.

Viva a liberdade, viva Portugal.

 

José Cardina

Presidente da Filarmónica Portuguesa de Paris e da CCPF

 

Testemunho recolhido para o LusoJornal, no quadro da Exposição sobre os 40 anos do 25 de Abril, do fotógrafo Mário Cantarinha, publicado na edição em papel do LusoJornal de abril de 2015.

 

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